28 de fevereiro de 2016

Eu sou um homem medieval

Logo no início do primeiro capítulo de seu fantástico livro Everything You Ever Wanted to Know About Heaven, o filósofo católico-romano Peter Kreeft acentua as diferenças entre o homem medieval e moderno:

Para a Cristandade medieval, era o mundo além do mundo que fazia toda a diferença do mundo para o mundo. O Céu além do sol fazia com que a terra "debaixo do sol" fosse muito mais do que "vaidade de vaidades". A terra era o ventre do Céu, o berçário do Céu, o ensaio geral do Céu. O Céu era o significado da terra. Nietzsche ainda não tinha popularizado a alternativa tentadora da serpente: "você é o significado da terra." Kant ainda não tinha disseminado "o veneno do subjetivismo" pela sua "revolução Copernicana da filosofia", em que a mente humana não descobre a verdade mas a produz, como a mente divina. Descartes ainda não tinha substituído o divino Eu Sou pelo "eu penso, logo existo" humano como "ponto arquimediano", ainda não tinha substituído o teocentrismo pelo antropocentrismo. O homem medieval ainda era a criança do Pai, ainda que pródiga, e o seu mundo tinha significado porque era "o mundo de meu Pai", e ele acreditava na promessa de seu Pai de levá-lo para casa após a morte.

Esta confiança em relação à morte dava a ela a confiança em relação à vida, pois o caminho da vida levava a algum lugar.

O mundo com um significado além de si mesmo e de nós mesmos. A busca pela verdade. A morte, como não sendo o fim. Deus, o Pai, como fundamento de todas as coisas. Se estas coisas representam a visão de mundo de um homem medieval, então eu também sou medieval. E sinto-me muito feliz em sê-lo.