23 de setembro de 2016

Apenas dois sistemas

No final das contas para mim existem apenas dois sistemas sócio-político-econômicos:

1. O Reino de Deus.

2. Os Outros.

O Reino de Deus nada mais é que a realização da tão desejada e sonhada Era de Ouro da Humanidade, onde homens e mulheres vão finalmente atingir seu pleno potencial, vivendo em harmonia consigo mesmos e com a natureza e, mais importante, em paz com Deus, Criador de Todas as Coisas, Fonte de Vida, do Bem, da Verdade e da Beleza.

Como já indicado pelo próprio termo, este Reino não é nem uma Democracia nem um Reino de Homens e Mulheres. (Não se trata de nós. Trata-se Dele!) Nós seremos governados neste sistema; haverá um Rei, e sob o Seu Reinado nós mesmos nos tornaremos reis: reis-filósofos, reis-cientistas, reis-exploradores, reis-artistas. Mesmo sendo governados, nós seremos verdadeiramente livres: sob o Seu Reinado seremos finalmente livres para ser o melhor que nós podemos ser. Este Rei é Muito-Mais-Extraordinário-Que-A-Pessoa-Mais-Extraordinária-Que-Você-Já-Conheceu-Na-Sua-Vida, e nós iremos amá-Lo, para todo o sempre.

O Reino de Deus já está aqui, mas ainda não está totalmente estabelecido, e por agora temos que conviver com Os Outros: Capitalismo, Socialismo, Comunismo, Monarquismo, e assim por diante. Considerando que eles nunca serão tão bons quanto O Reino, qual o melhor dentre eles?

Liberdade é um aspecto muito importante para mim, mais do que dinheiro ou saúde, e segundo penso, igualmente muitíssimo importante para todos nós, enquanto vivemos neste mundo imperfeito e caído. Eu quero Liberdade de Pensamento e Opinião, de Religião, de Imprensa, de Reunião. Mesmo que eu não goste de muitas coisas, e considere outras como pecado, eu reconheço o direito dos outros e praticá-las.

Eu quero defender aquilo que acredito ser o correto e melhor para todos, quero expressar publicamente a minha crença e compartilhá-la com as pessoas, quero acesso à informação, quero criticar e desafiar as autoridades quando achar que seja necessário fazê-lo. Qualquer sistema Dos Outros que pelo menos garantir estas coisas para mim é, por enquanto, o melhor.

27 de março de 2016

Minha esperança

[...] se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; (1 Coríntios 15:13,14)

Deus, o Eterno, Criador dos Céus e da Terra, do Tempo e do Espaço, entrou na História e derrotou a Morte através da ressurreição de Seu Filho, Cristo Jesus, Deus-Homem. O Nosso Criador, de forma incrível, realizou a nossa Redenção.

O que isso significa?

Isso significa (ou deveria significar) uma revolução total na forma como nos relacionamos com a Realidade.

E por quê?

Porque aquilo que Deus fez na História por nós resulta em Alegria. Sim, a Ressurreição (vida eterna ao invés de morte) é fonte daquela Alegria firme, genuína, constante, duradoura e racional, que representa tanto um golpe mortal contra o conformismo niilista (a aceitação da morte da vida, na vida) do presente século, quanto também o fundamento de uma verdadeira mudança (filosófica, artística, política, social, econômica) no mundo.

Se estamos unidos com Cristo (se reconhecemos nossa condição miserável, se nos sujeitamos ao Seu Domínio, e se O amamos) então a Morte, este inevitável ponto humilhante de nossa existência, não representa mais o nosso fim. Pois ao invés de sermos um punhado de matéria consciente entre dois estados de nada, somos seres criados com um propósito, e resgatados por uma Pessoa que não apenas individualmente nos idealizou mas que também, movido por um Amor Inigualável, nos livra da destruição.

Na Ressurreição, Deus demonstra que Seu interesse vai muito além da nossa alma ou espírito; Ele age de forma que somos totalmente, integralmente restaurados. (Porque um ser humano sem um corpo é apenas fantasma, e um ser humano sem alma ou espírito nada mais é que um cadáver. Ambos não representam um ser humano completo. Pense nisso.) Mesmo que no momento eles não estejam em sua forma ideal, tanto o nosso aspecto material quanto o imaterial são criações de Deus, e assim sendo, coisas intrinsecamente boas em si mesmas. Deus redime, portanto, a pessoa total.

Cristo Jesus morreu e ressuscitou para uma condição de vida que não tem mais fim, uma existência além do poder da morte. Ele foi o primeiro a ser transformado por um processo destinado também a nós. Para aqueles unidos com Cristo, a morte é apenas um intervalo temporário, ainda que consciente, até o dia da transformação final. Jesus Cristo, meu Deus e Rei, é o meio pelo qual a humanidade finalmente encontra o seu glorioso destino, quando cada pessoa brilhará como uma estrela na noite do Universo, e coletivamente em uníssono com o nosso Criador, preencheremos a Realidade com Alegria e Vida.

Eu me considero portanto um positivista: eu acredito no incrível futuro da humanidade, imaginado e almejado por tantas pessoas. No entanto, eu acredito que o ponto de partida deste futuro não vem de nós, e que seu fundamento é a Ressurreição do Filho na História.

Em resumo, o ponto de partida ou fundamento é o Amor de Deus por nós, revelado na História, em Cristo Jesus.

28 de fevereiro de 2016

Eu sou um homem medieval

Logo no início do primeiro capítulo de seu fantástico livro Everything You Ever Wanted to Know About Heaven, o filósofo católico-romano Peter Kreeft acentua as diferenças entre o homem medieval e moderno:

Para a Cristandade medieval, era o mundo além do mundo que fazia toda a diferença do mundo para o mundo. O Céu além do sol fazia com que a terra "debaixo do sol" fosse muito mais do que "vaidade de vaidades". A terra era o ventre do Céu, o berçário do Céu, o ensaio geral do Céu. O Céu era o significado da terra. Nietzsche ainda não tinha popularizado a alternativa tentadora da serpente: "você é o significado da terra." Kant ainda não tinha disseminado "o veneno do subjetivismo" pela sua "revolução Copernicana da filosofia", em que a mente humana não descobre a verdade mas a produz, como a mente divina. Descartes ainda não tinha substituído o divino Eu Sou pelo "eu penso, logo existo" humano como "ponto arquimediano", ainda não tinha substituído o teocentrismo pelo antropocentrismo. O homem medieval ainda era a criança do Pai, ainda que pródiga, e o seu mundo tinha significado porque era "o mundo de meu Pai", e ele acreditava na promessa de seu Pai de levá-lo para casa após a morte.

Esta confiança em relação à morte dava a ela a confiança em relação à vida, pois o caminho da vida levava a algum lugar.

O mundo com um significado além de si mesmo e de nós mesmos. A busca pela verdade. A morte, como não sendo o fim. Deus, o Pai, como fundamento de todas as coisas. Se estas coisas representam a visão de mundo de um homem medieval, então eu também sou medieval. E sinto-me muito feliz em sê-lo.