30 de dezembro de 2015

Dois tipos de trabalho

Você trabalha duro. Não porque você precisa fazê-lo, mas porque você se sente abençoado em ter adquirido e desenvolvido algum tipo de talento, e todas as vezes que você o usa para produzir algo você se sente como se estivesse seguindo o seu chamado, a sua vocação, e contribuindo com os outros e com o mundo ao tentar colocar um pouco de ordem em algum estado caótico. Seu trabalho lhe traz alegria.

Por outro lado, você trabalha duro. Porque você sente que precisa fazer isso para poder continuar onde está, ou para alcançar algo que você deseja. Você é julgado por metas, e você precisa provar seu desempenho. Você precisa mostrar suas habilidades e competências para poder ser aceito. No final você sente que precisa provar algo para si mesmo, quando na verdade o que você está de fato fazendo é tentando provar algo para os outros, e como não é suficiente (nunca é), você continua tentando mais e mais. Seu trabalho é penoso, doloroso, e lhe traz ansiedade.

Em ambos os casos você precisa descansar, mas enquanto que no primeiro caso seu trabalho já produz um tipo de descanso, no segundo você antes de tudo precisa descansar daquele trabalho mais profundo que o seu trabalho está na verdade escondendo, ou seja, a autojustificação.

O primeiro tipo de trabalho representa o Evangelho, onde você é aceito e portanto habilitado a trabalhar, a realizar, a fazer. O segundo tipo de trabalho representa Religião, onde você precisa fazer para poder ser aceito.

Um tipo de trabalho te torna uma pessoa plenamente satisfeita. O outro te torna um escravo.

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