25 de maio de 2015

Sim, é pecado. E agora?

Como eu expliquei no texto anterior, sim, homossexualismo é pecado. É o que a Bíblia Sagrada diz ser, e para mim isso é uma questão de Sola Scritpura.

Mas e agora? Como os crentes deveriam tratar desta questão? O que eu devo fazer a respeito disso? Como manter-se biblicamente firme, ainda que com amor, quando alguém próximo, que você admira ou se importa, afirma ser gay?

Muitas pessoas cometem erros quanto a isso porque é tão mais fácil esquecer dos próprios pecados e concentrar nos pecados dos outros com uma "fúria justa". Assim sendo, segundo penso, a primeira coisa a fazer seria sinceramente reconhecer a própria condição de pecador. Todas as pessoas, cometendo diferentes tipos de pecados, precisam se arrepender e confiar em Jesus Cristo como Salvador. Quanto a isso, não somos em nada diferentes; precisamos todos da mesma ajuda. Ninguém é melhor do que ninguém.

Mesmo que tentando guiar-me por esta verdade, eu me considero um "trabalho em andamento": eu ainda tenho muito a aprender sobre como publicamente lidar com esta grande mudança cultural que estamos vivendo, e até mesmo sobre como falar com as pessoas quando questionado sobre o fato do homossexualismo ser pecado, ou sobre o significado do casamento.

Deus tem me ajudado nestas coisas, e com certeza Rosaria Butterfield é uma prova disso.

Conheci Rosaria através de seu livro The Secret Thoughts of an Unlikely Convert, que deveria ser leitura obrigatória para todos os crentes não apenas por seu testemunho de como ela se arrependeu de seu pecados (homossexualismo sendo um deles) e converteu-se a Cristo, mas por muitos outros motivos que tornam este um livro fantástico para o amadurecimento espiritual de qualquer um. Desde então tenho acompanhado o seu trabalho, sempre ficando admirado com a clareza de seu pensamento e seu olhar crítico.

Em uma entrevista recente Rosaria tocou com sensibilidade na questão de qual deveria ser o posicionamento dos cristãos frente ao homossexualismo. Sua resposta, que tem a minha total concordância, pode ser vista no vídeo à seguir:


9 de maio de 2015

Sim, homossexualismo é pecado

O chamado "casamento gay" está se tornando oficialmente reconhecido em muitos países, recebendo o mesmo status legal do agora chamado "casamento tradicional". A cultura LGBT é promovida e celebrada, a atração por pessoas do mesmo sexo é defendida e incentivada,  novas configurações de família se formaram, e a Suécia está até mesmo usando um novo pronome de gênero neutro porque, para os suecos, apenas "igualdade de gêneros" não é mais suficiente.

Qualquer oposição a estas coisas é quase que certamente classificada como homofobia. Alguém pode até dizer tolerar este novo status quo, mas para muitas pessoas isso não é o bastante: é preciso aceitá-lo completamente, ou então encarar as consequências.

A cultura obviamente mudou. E a igreja de Cristo?

Uma grande parte da igreja é vítima de perseguições pesadas, com punições que variam de prisão até a morte, por causa da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Considerando que esta parte da igreja não tem voz nem para se defender, quanto mais conseguiria ela ser uma voz ativa onde está inserida.

A outra parte vive em uma sociedade pós-moderna, autocentrada, viciada em entretenimento, e segundo vejo, sofre de uma espécie de crise de identidade: ela se esqueceu do significado e da gravidade do pecado e, como muitas vezes parece, até mesmo de quem é o Cabeça da Igreja.

Isso pode ser verificado por exemplo na forma como a igreja está lidando com a questão da homossexualidade: ela se encontra dividida sobre isso. A análise dos motivos desta divisão são complexos e estão fora do escopo deste texto, mas na minha humilde opinião, eu diria que uma das razões seria simplesmente o medo de receber a desaprovação do mundo e de perder os privilégios conquistados ao longo dos séculos.

De qualquer forma, mesmo que hoje em dia muitos dentro da igreja aceitem a prática homossexual e o "casamento gay", eu não aceito, e é exatamente disto que este texto se trata: de usar da minha liberdade de pensamento e expressão religiosa para publicamente me posicionar ao lado daqueles irmãos e irmãs em Cristo que também rejeitam a prática homossexual como um comportamento sexual aceitável, e o "casamento gay"como sendo casamento.

Como cristão protestante, calvinista/reformado, eu mantenho o princípio bíblico e histórico da Sola Scriptura, o que significa dizer que eu reconheço e aceito a Bíblia como sendo a Sagrada Palavra de Deus, sendo assim suficiente e autoridade final de doutrina e prática. Eu reconheço e aceito que a Bíblia Sagrada revela quem Deus É, quem eu sou, e porque todas as coisas foram criadas. Eu reconheço e aceito totalmente aquilo que a Bíblia diz sobre mim: que eu sou um pecador que precisa urgentemente de um redentor, que é ninguém mais que o próprio Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Considerando tudo isso, eu também reconheço e aceito aquilo que a Bíblia ensina sobre a sexualidade humana e o casamento, ou seja, de que gênero não é uma construção social mas sim parte do projeto de Deus para os seres humanos, que o casamento é uma instituição criada por Deus constituída para a união do homem e da mulher, e que qualquer tipo de atividade sexual fora do casamento é pecado, incluindo o homossexualismo.

Conforme estabelecido no Antigo Testamento:

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1:27 NVI)

Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. (Gênesis 2:24 NVI)

Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante. (Levítico 18:22 NVI)

Conforme estabelecido no Novo Testamento:

Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’. ‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. (Marcos 10:6-8 NVI)

Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão. (Romanos 1:26, 27 NVI)

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. (1 Coríntios 6:9, 10 NVI)

Portanto, sim, homossexualismo é pecado. Não o pior deles, mas pecado mesmo assim. Não imperdoável, mas um pecado que necessita de arrependimento, em Cristo Jesus, assim como qualquer outro.

1 de maio de 2015

Sobre maldições (a de Canaã e a nossa)

Apesar de ser continuamente acusado de ser homofóbico, toda a revolta contra o pastor e deputado federal Marco Feliciano em 2013 começou, segundo penso, com sua infeliz declaração em sua conta do Twitter relacionando os africanos com uma maldição atribuída a Canaã, filho de Cam (ou Cão) e neto de Noé, algo que foi considerado por muitos como racismo.

Mesmo que o dito pastor não tivesse nenhuma intenção racista ao declará-la, esta é uma linha de pensamento infeliz que existe já há algum tempo, e que inclusive já foi historicamente utilizada por racistas. Contudo, reafirmo que apesar de ter várias razões para me opor ao Marco Feliciano enquanto pastor e deputado, não acho que ele seja racista.

Nós, protestantes, defendemos o livre acesso e estudo das Escrituras Sagradas, mas não que ela seja interpretada de qualquer forma, apesar de reconhecermos que isso infelizmente acontece. Existe o sentido correto dos textos bíblicos, e nos esforçamos (e muito!) para buscá-lo. Neste sentido, e visando combater especificamente esta interpretação errada da maldição de Canaã, compartilho uma breve análise textual do Rev. Odayr Olivetti, falecido pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, e que já foi professor de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano de Campinas/SP. Em sua análise simples e coerente, baseada em textos bíblicos, ele aponta os erros de interpretação daqueles que associam a maldição com o continente africano.

Em seu texto, ele diz:

Os camitas e a raça negra:

1°. A maldição de Noé (Gn 9.22-27) foi sobre seu neto Canaã, não diretamente sobre seu filho Cam. Note-se que este já fora abençoado (Gn 9.1).


2°. Os descendentes de Canaã são os cananeus, os amorreus, os filisteus, os assírios e os babilônios, que estão entre os descendentes relacionados em Gênesis 10.15-18. Os cananeus habitaram na Palestina, desde Sidom, ao norte, até Gerar e Gaza, ao sul (Gn 10.19). Os cananeus não constituem a raça negra.


3°. Na África, os descendentes de Cão são Pute e Mizraim. Mizraim é o nome hebraico do Egito. Conclusão desta parte: Biblicamente, a raça negra não é resultante da maldição de Noé, pois esta foi sobre Canaã.


Ao concluir sua breve análise, o Rev. Odayr Olivetti afirma que:

A exegese errada do texto que fala da maldição de Canaã, erroneamente atribuída a Cam, deu argumento para os racistas, e até para o arianismo fanático racista de Hitler.

A ótima ESV Study Bible também comenta sobre o trecho de Gênesis 9, o capítulo onde estão registrados os fatos que levaram o patriarca Noé a esta atitude de proclamar esta maldição no Mundo Antigo. As notas de estudo desta Bíblia mostram não apenas o erro de associá-la aos povos africanos, mas também como esta proclamação de Noé é em certo sentido profética, adiantando eventos futuros em relação a um dos seus descendentes, quando Deus em Sua Santa Ira julgaria os povos cananitas:

A reação de Noé à ação de Cam é amaldiçoar Canaã, o filho de Cam. […] Esta passagem foi erroneamente utilizada em séculos passados para justificar a escravidão dos povos africanos, resultando em grave abuso, injustiça e desumanidade sofridos por pessoas criadas à imagem de Deus. A maldição de Noé a Canaã, que foca no fato dele se tornar servo dos outros irmãos, antecipa o julgamento que mais tarde cairia sobre os Cananitas (conferir Dt. 7:1-3 com Gn. 10:15-19). Isto, associado ao fato que a maldição cai apenas em Canaã e não nos outros filhos de Cam (que se estabeleceram no norte da África), mostra o quão ilegítimo é o uso deste texto para justificar a escravidão dos povos africanos.

As explicações que compartilhei podem trazer mais luz sobre o assunto, mas não eliminam o fato de que muitos não gostam e não aceitam a própria existência em si de textos bíblicos descrevendo Deus punindo, castigando e amaldiçoando, e muito menos de existirem pessoas que atestem pela fé a veracidade destes textos, ao afirmarem que eles dizem a verdade sobre a Pessoa Divina.

Sim, acreditamos que os textos bíblicos expressam a verdade sobre Deus; não de forma exaustiva, mas mesmo assim, o que está ali registrado é a verdade. E a verdade é que Deus se relaciona com pessoas por meio de alianças e bênçãos, mas também por meio de disciplinas, castigos, avisos, e mesmo punições e maldições. Deus é infinitamente Bom sem deixar de ser infinitamente Justo, e diferentemente de nós seres humanos, a Sua Ira é instrumento de Sua Justiça.

E longe de ser "coisa de Antigo Testamento", as Escrituras como um todo também expressam a verdade atual, nua e crua sobre nós, ainda hoje, de que na realidade todos estamos sob a maldição do pecado, de forma que somos naturalmente desobedientes e espiritualmente mortos (Sl. 51:5; Rm. 5:12-21; Ef. 2:1-3). Portanto, a questão principal não seria a maldição de Canaã mas sim a de toda a humanidade.

Pois, conforme registrado:

Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. (Romanos 3:23 NVI)

Todos. Sejam eles africanos, asiáticos, europeus ou americanos; do hemisfério norte ou do sul, do Oriente ou do Ocidente, e ao longo de toda a História, todos são pecadores, e precisam do Senhor.

A solução para sairmos desta situação de maldição foi dada pelo próprio Deus, quando Ele enviou o Seu Filho para se tornar maldição em nosso lugar, e para sofrer, em nosso lugar, a punição justa do Pai (2 Co. 5:21; Gl. 3:13), e o Filho, por livre vontade e por amor a nós, obedeceu (Jo. 10:18). Assim sendo, olhemos e busquemos todos, igualmente, Aquele que pode nos redimir e salvar: o Senhor Jesus Cristo.