16 de fevereiro de 2015

Sobre festas diabólicas

Agora mesmo, neste exato momento em que escrevo este texto, está acontecendo uma grande festa de Carnaval na rua ao lado do prédio onde eu moro, no centro de São Paulo. E de todas as coisas que me veem à cabeça sobre isso (garanto a vocês que ódio não é uma delas), eu não consigo deixar de me lembrar daquela vez quando eu compartilhei com alguns colegas de trabalho o que eu sempre achei do Carnaval brasileiro: que é uma festa diabólica.

Eu e a minha boca grande. Claro que recebi reações instantâneas com a minha afirmação, como se eu fosse apenas outro crente ignorante que não sabe nada sobre cultura e história. "Não é uma festa diabólica, mas uma festa pagã, e isso é bem diferente", disse um dos meus colegas mais inteligentes, alguém quem sempre admirei ao longo dos anos.

Eu não o condeno. Naquela época eu compreendi a sua reação, e ainda hoje eu a compreendo. Além do mais, eu deveria ter explicado melhor a minha posição. Falando em termos sociológicos, como crente eu sou influenciado e faço parte de apenas mais um do muitos grupos religiosos falíveis que existem em nosso mundo. Eu sei disso, e também reconheço quão falível este grupo é. E sim, eu concordo com este meu estimado colega: realmente é uma festa pagã. Entretanto, eu ainda mantenho a minha opinião, que aliás é compartilhada por milhares de crentes ao redor do mundo: ela também é uma festa diabólica.

O que acontece é que a forma como você define a Bíblia define a sua visão de mundo. Para mim e muitos outros, ela é a Palavra de Deus, e quando você olha para a Palavra de Deus você entende como o Carnaval vai contra a Vontade e o Caráter do Senhor (Gálatas 5:13, 17, 19-22, 24); ela não promove a Sua Glória mas sim prostituição, abuso de álcool, adultério, a "coisificação das pessoas". Muitos gostam desta festa pelo divertimento que ela oferece, e divertir-se não é um pecado em si, mas ela é uma festa fundamentada em uma falsa alegria e abastecida por coisas erradas.

E por estes motivos, eu a considero uma festa diabólica.

E não necessariamente porque seja uma festa pagã.

Digo isso porque podemos sim encontrar coisas boas, de valor, sábias e verdadeiras em contextos pagãos. "Toda verdade é verdade de Deus", mesmo que ela venha de contextos não-cristãos, e certamente elas vem. Por outro lado, não é verdade que a História do Cristianismo demonstra que, infelizmente, algumas vezes aconteceram (e ainda acontecem) coisas na Santa Igreja que não foram inspiradas por Deus mas pelo Diabo?

(Lembram-se por exemplo quando Jesus disse a Pedro que ele estava falando por Satanás? Se não, por favor leiam Mateus 16:21-23.)

Eu realmente acho que quando alguém admite a visão bíblica histórica, este alguém acaba sendo considerado politicamente incorreto, alguém que vai contra a maré, retrógrado ou qualquer outra coisa do tipo. Se consideramos o próprio núcleo central da nossa fé, de que as pessoas devem reconhecer seus pecados, arrepender-se deles e aceitar Cristo Jesus como seu Redentor, ou então elas sofrerão a Justa Ira de Deus e irão para o Inferno, apenas isso é suficiente para ofender muitos em nosso contexto moderno. Isto é inevitável.

(Lembram-se quando Paulo quase foi para a prisão em Éfeso porque sua pregação era uma ameaça ao culto da deusa Diana? Se não, por favor leiam Atos 19.)

Em todo caso, eu não pretendia ou pretendo ofender ninguém, como se eu fosse um "ser humano moralmente superior cheio de luz e sabedoria". Em primeiro lugar, eu quero apenas informar, mostrar que há outra maneira, outro caminho, de forma que as pessoas possam pensar em Deus e repensar suas vidas. Em segundo lugar, eu quero reconhecer que infelizmente eu tenho as minhas próprias "festas diabólicas" dentro do meu coração. Eu não sou melhor do que ninguém. Como o apóstolo Paulo diz com propriedade em Romanos 7:15, "porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto", e sim, isso realmente acontece comigo e com meus irmãos e irmãs cristãos. Todos nós então precisamos da Graça de Deus para crescer e amadurecer em Cristo, e ficarmos livres disso.

E um dia, eu sei que nós ficaremos completamente livres destas coisas. Para sempre.

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