17 de fevereiro de 2015

Fundação, de Isaac Asimov

[ texto com alguns spoilers ]

Ontem terminei Fundação e Terra, o último livro (em order cronológica) da fantástica série da Fundação de Isaac Asimov, uma das melhores séries sci-fi de todos os tempos.

Ela merece o status que tem. Asimov era um gênio, e todos os livros desta série compreendem uma ótima saga do subgênero da space opera. Eu realmente gostei muito de lê-los.

Algo entretanto me ocorreu ao fazê-lo, e não acho que fui o único que teve esta percepção. Na verdade, recentemente encontrei um tweet de alguém indicando exatamente isso, ou seja, de que na verdade eles são livros sobre religião.

Mesmo que a Fundação tenha me lembrado muito a Igreja Cristã e seu papel na chamada Idade das Trevas, eu não acho que os livros lidam com religião cristã. Seria apenas que notei como Isaac Asimov, mesmo sendo um ateu, não conseguiu evitar de imaginar a humanidade transcendendo, de pensar que existe mais, que podemos nos tornar mais, que o destino da humanidade está além do aqui e agora, sendo que até mesmo ele parece ter imaginado uma figura de Cristo, chave para o desenvolvimento da humanidade. Neste sentido, ela seria uma série sci-fi também de cunho religioso.

Naturalmente que, por ser ateu, Deus não era uma peça central na visão do autor, e por conta disso ele tentou elaborar sua própria solução, sua própria resposta. E confesso que fiquei um pouco triste por ele, quando a vi:

Quer dizer então que estaríamos destinados a perder a nossa individualidade em um tipo de superorganismo galáctico, como peças em uma engrenagem cósmica, para podermos nos defender com mais eficácia de ameaças externas, vindas de outras galáxias? É isso? Apenas outro passo evolucionário rumo à uma superconsciência ou algo do tipo? Seria esta a melhor resposta que as pessoas que acreditam (sim, elas certamente acreditam!) na não-existência de Deus podem oferecer?

De minha parte, eu não concordo, e acredito em outra coisa.

De qualquer forma, a série Fundação é ótima, então não deixem de lê-la.

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