22 de fevereiro de 2015

3 opções, 4 perguntas

"Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?", perguntou certa vez Jesus aos seus discípulos, conforme registrado em Mateus 16:15. Esta é uma pergunta tão relevante agora quanto era no passado. Se naquela época as pessoas davam as mais variadas respostas a ela, ainda hoje continuamos fazendo isso, e a forma como respondemos diz muito sobre a nossa visão de mundo.

No fundo, no fundo, muitas pessoas, incluindo cristãos nominais, consideram que Ele foi apenas um tipo de "grande professor/mestre que ensinou sobre amor", e nada mais do que isso, mas para mim isso nada mais é do que fazer rodeios, evitar chegar ao fundo da questão. Se pararmos para pensar, o assunto em questão é muito mais sério e profundo do que isso.

Cristãos autênticos, que professam o cristianismo bíblico histórico, testificaram ao longo dos séculos, e continuam testificando até hoje, que Ele é o Filho de Deus Encarnado e que, conforme registrado na Bíblia Sagrada, o próprio Jesus identificou-se como sendo Deus.

Isso é simplesmente uma afirmação muito grande e séria para qualquer um fazer, e diante de tamanha alegação, penso que só nos restam 3 opções sobre quem Jesus realmente foi:

Ele era um grande mentiroso.

Ele era um doido varrido, um maluco.

Ele realmente estava dizendo a verdade. Ele realmente era o Filho de Deus.

Aceitar a última opção como a correta deveria nos levar a fazer os seguintes questionamentos:

Por que Ele entrou na História, nascendo como um ser humano?

Por que Ele teve que morrer?

Por que Ele ressuscitou no terceiro dia da Sua morte?

E por último, mas não menos importante, deveríamos finalmente perguntar:

O que isso tudo tem a ver conosco?

Insisto que temos que parar para pensar sobre isso. Garanto que é aquele tipo de reflexão vital, que pode mudar a vida de qualquer um ;)

17 de fevereiro de 2015

Fundação, de Isaac Asimov

[ texto com alguns spoilers ]

Ontem terminei Fundação e Terra, o último livro (em order cronológica) da fantástica série da Fundação de Isaac Asimov, uma das melhores séries sci-fi de todos os tempos.

Ela merece o status que tem. Asimov era um gênio, e todos os livros desta série compreendem uma ótima saga do subgênero da space opera. Eu realmente gostei muito de lê-los.

Algo entretanto me ocorreu ao fazê-lo, e não acho que fui o único que teve esta percepção. Na verdade, recentemente encontrei um tweet de alguém indicando exatamente isso, ou seja, de que na verdade eles são livros sobre religião.

Mesmo que a Fundação tenha me lembrado muito a Igreja Cristã e seu papel na chamada Idade das Trevas, eu não acho que os livros lidam com religião cristã. Seria apenas que notei como Isaac Asimov, mesmo sendo um ateu, não conseguiu evitar de imaginar a humanidade transcendendo, de pensar que existe mais, que podemos nos tornar mais, que o destino da humanidade está além do aqui e agora, sendo que até mesmo ele parece ter imaginado uma figura de Cristo, chave para o desenvolvimento da humanidade. Neste sentido, ela seria uma série sci-fi também de cunho religioso.

Naturalmente que, por ser ateu, Deus não era uma peça central na visão do autor, e por conta disso ele tentou elaborar sua própria solução, sua própria resposta. E confesso que fiquei um pouco triste por ele, quando a vi:

Quer dizer então que estaríamos destinados a perder a nossa individualidade em um tipo de superorganismo galáctico, como peças em uma engrenagem cósmica, para podermos nos defender com mais eficácia de ameaças externas, vindas de outras galáxias? É isso? Apenas outro passo evolucionário rumo à uma superconsciência ou algo do tipo? Seria esta a melhor resposta que as pessoas que acreditam (sim, elas certamente acreditam!) na não-existência de Deus podem oferecer?

De minha parte, eu não concordo, e acredito em outra coisa.

De qualquer forma, a série Fundação é ótima, então não deixem de lê-la.

16 de fevereiro de 2015

Sobre festas diabólicas

Agora mesmo, neste exato momento em que escrevo este texto, está acontecendo uma grande festa de Carnaval na rua ao lado do prédio onde eu moro, no centro de São Paulo. E de todas as coisas que me veem à cabeça sobre isso (garanto a vocês que ódio não é uma delas), eu não consigo deixar de me lembrar daquela vez quando eu compartilhei com alguns colegas de trabalho o que eu sempre achei do Carnaval brasileiro: que é uma festa diabólica.

Eu e a minha boca grande. Claro que recebi reações instantâneas com a minha afirmação, como se eu fosse apenas outro crente ignorante que não sabe nada sobre cultura e história. "Não é uma festa diabólica, mas uma festa pagã, e isso é bem diferente", disse um dos meus colegas mais inteligentes, alguém quem sempre admirei ao longo dos anos.

Eu não o condeno. Naquela época eu compreendi a sua reação, e ainda hoje eu a compreendo. Além do mais, eu deveria ter explicado melhor a minha posição. Falando em termos sociológicos, como crente eu sou influenciado e faço parte de apenas mais um do muitos grupos religiosos falíveis que existem em nosso mundo. Eu sei disso, e também reconheço quão falível este grupo é. E sim, eu concordo com este meu estimado colega: realmente é uma festa pagã. Entretanto, eu ainda mantenho a minha opinião, que aliás é compartilhada por milhares de crentes ao redor do mundo: ela também é uma festa diabólica.

O que acontece é que a forma como você define a Bíblia define a sua visão de mundo. Para mim e muitos outros, ela é a Palavra de Deus, e quando você olha para a Palavra de Deus você entende como o Carnaval vai contra a Vontade e o Caráter do Senhor (Gálatas 5:13, 17, 19-22, 24); ela não promove a Sua Glória mas sim prostituição, abuso de álcool, adultério, a "coisificação das pessoas". Muitos gostam desta festa pelo divertimento que ela oferece, e divertir-se não é um pecado em si, mas ela é uma festa fundamentada em uma falsa alegria e abastecida por coisas erradas.

E por estes motivos, eu a considero uma festa diabólica.

E não necessariamente porque seja uma festa pagã.

Digo isso porque podemos sim encontrar coisas boas, de valor, sábias e verdadeiras em contextos pagãos. "Toda verdade é verdade de Deus", mesmo que ela venha de contextos não-cristãos, e certamente elas vem. Por outro lado, não é verdade que a História do Cristianismo demonstra que, infelizmente, algumas vezes aconteceram (e ainda acontecem) coisas na Santa Igreja que não foram inspiradas por Deus mas pelo Diabo?

(Lembram-se por exemplo quando Jesus disse a Pedro que ele estava falando por Satanás? Se não, por favor leiam Mateus 16:21-23.)

Eu realmente acho que quando alguém admite a visão bíblica histórica, este alguém acaba sendo considerado politicamente incorreto, alguém que vai contra a maré, retrógrado ou qualquer outra coisa do tipo. Se consideramos o próprio núcleo central da nossa fé, de que as pessoas devem reconhecer seus pecados, arrepender-se deles e aceitar Cristo Jesus como seu Redentor, ou então elas sofrerão a Justa Ira de Deus e irão para o Inferno, apenas isso é suficiente para ofender muitos em nosso contexto moderno. Isto é inevitável.

(Lembram-se quando Paulo quase foi para a prisão em Éfeso porque sua pregação era uma ameaça ao culto da deusa Diana? Se não, por favor leiam Atos 19.)

Em todo caso, eu não pretendia ou pretendo ofender ninguém, como se eu fosse um "ser humano moralmente superior cheio de luz e sabedoria". Em primeiro lugar, eu quero apenas informar, mostrar que há outra maneira, outro caminho, de forma que as pessoas possam pensar em Deus e repensar suas vidas. Em segundo lugar, eu quero reconhecer que infelizmente eu tenho as minhas próprias "festas diabólicas" dentro do meu coração. Eu não sou melhor do que ninguém. Como o apóstolo Paulo diz com propriedade em Romanos 7:15, "porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto", e sim, isso realmente acontece comigo e com meus irmãos e irmãs cristãos. Todos nós então precisamos da Graça de Deus para crescer e amadurecer em Cristo, e ficarmos livres disso.

E um dia, eu sei que nós ficaremos completamente livres destas coisas. Para sempre.