13 de novembro de 2014

Vivam as edições impressas!

Comprar os livros da série As Crônicas de Nárnia para a minha sobrinha fez com que eu parasse para pensar e relembrar os motivos de eu ainda gostar tanto das edições impressas: o fato de enxergar nelas o emprego daquele toque pessoal, artístico e íntimo que não vejo nas edições digitais.

Claro que à grosso modo as duas são apenas diferentes formas de distribuição; cada uma com o seu processo específico a fim de atender demandas específicas, mas em termos gerais, tratam-se apenas de jeitos de se distribuir um livro. O objeto final em si, tanto num quanto outro, terá a mesma estrutura interna, e tanto as edições impressas quanto as digitais valem-se de processos automáticos para a sua geração.

Entretanto, quando cito o toque pessoal, artístico e íntimo que vejo nas edições impressas não estou me referindo à sua geração, mas sim ao seu uso.

Porque quando você tem a edição impressa de um livro, você tem contato com um material fisicamente trabalhado e organizado de tal forma a lhe proporcionar um prazer visual e tátil (e para alguns até mesmo olfativo) através do emprego de coisas como o tipo e a cor da fonte escolhida para o texto, o tipo do papel, a arte visual (da capa ou interna) e a própria encadernação em si. Este é um tipo de experiência que a digitalização não é capaz de proporcionar.

Porque quando você está emprestando um livro impresso para alguém, você está tirando fisicamente um objeto que lhe é caro de sua coleção particular e entregando aos cuidados de outra pessoa, como num ato de confiança e coragem que pode levar à criação de um vínculo. Isso é muito mais difícil de se fazer e profundo do que simplesmente permitir o acesso à leitura de um conjunto de bytes guardados na nuvem computacional.

Porque quando, como foi no meu caso, você está presenteando uma coleção de livros impressos para a sua sobrinha querida, você investe parte do seu tempo para tentar construir uma espécie de representação física de um sentimento que você nutre por ela; não só pelo fato de você decidir compartilhar uma estória que lhe é pessoalmente cara, mas de você ter tido de se deslocar para várias livrarias para tentar encontrar aquelas edições específicas, de fazer ligações interurbanas para lojas, de parar para pensar e escrever dedicatórias de seu próprio punho para ela, de escolher um bonito papel de embrulho, tudo isso para no final ver o sorriso no rosto de uma criança ao receber em mãos um presente de um tio caladão e sem muito jeito para as coisas, mas que a ama muito.

Como isso poderia ser feito se eu ao invés estivesse "presenteando" as edições digitais?

Como feliz proprietário de um Kindle e de uma conta no comiXology, eu compro sim edições digitais de livros e HQ's; acho que eles apresentam algumas vantagens específicas muito boas e que vieram para ficar. E que bom que vieram. Contudo, não sou daqueles que só veem valor em novidades, e desprezam os "livros em papel" como "coisa velha e ultrapassada". Acho que as edições impressas tem qualidades inerentes que as tornam superiores em alguns pontos, e não, não acho que elas vão acabar.

0 comentários: