15 de novembro de 2014

As Crônicas de Gelo e Fogo

A série As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin é um inegável sucesso. Os livros são muitíssimo celebrados, especialmente entre os nerds/geeks, e a série de TV produzida pela HBO é considerada como umas das melhores dos últimos anos. George R. R. Martin é um escritor talentoso, e até mesmo chegou a ser chamado de "Tolkien americano". Embora eu ache que esta comparação seja um pouco exagerada ela no entanto mostra a atual importância do autor para o gênero da literatura fantástica.

Com todo o seu contexto medieval e fantástico, naturalmente que os livros teriam um apelo garantido para mim, e parti para a leitura da série há algum tempo atrás. De todos os volumes lançados até hoje, li o primeiro, Guerra dos Tronos [1], e após começar a ler o segundo, A Fúria dos Reis, parei.

Não nego a qualidade técnica da obra e nem o talento do escritor, mas durante sua leitura percebi que no final das contas a série simplesmente não faz o meu estilo. Ou em outras palavras: se existem alguns livros que me relembram o tipo de literatura que eu realmente aprecio, então a série As Crônicas de Gelo e Fogo é um exemplo disso.

Pessoalmente, não tenho problemas em aceitar elementos mais violentos em estórias, desde que sirvam e façam sentido na trama; já se tratando das cenas sensuais e de sexo, que também fazem a fama dos livros e especialmente da série de TV, sou da humilde opinião de que boas estórias podem ser feitas sem elas, e para mim a série exagera nisso. Estes motivos podem ter contribuído em minha decisão, mas existe outro que levou-me a perder o interesse por As Crônicas de Gelo e Fogo: como leitor, não consegui criar um "relacionamento" com a estória, em um nível mais pessoal.

Ao meu ver, o mundo fantástico criado por George R. R. Martin nesta série é um lugar extremamente cruel, violento e traiçoeiro, moralmente ambíguo, quase sem heroísmo, onde a vingança acaba sendo na prática o único instrumento de justiça que existe. Um lugar onde a honestidade e a integridade podem custar a cabeça, como acabou acontecendo com o personagem Ned Stark, o meu favorito e que morreu logo no primeiro livro.

(Ned Stark, pobre coitado, não sabia "jogar o jogo", como o anão Tyrion Lannister parece fazer tão bem.)

Para muitos, este mundo descrito em As Crônicas de Gelo e Fogo seria um retrato fiel do nosso mundo, algo que contaria como outra das qualidades da série, mas eu não penso assim. Aliás, acho que ele acaba sendo um mundo tão sombrio que chega ao ponto de ser irreal demais.

Porque a vida, mesmo neste mundo cheio de coisas ruins, é mais do que um jogo de poder ou uma guerra de paixões. Deus existe, e isso faz toda a diferença no mundo.

Concordo que o nosso mundo é um lugar violento e cruel, e não só isso, concordo com a Bíblia quando ela fala que na verdade o nosso mundo se encontra nas mãos do Maligno (1 Jo. 5:19). Entretanto, não acho que a realidade se limita apenas à este fato; ainda existem coisas como justiça, heroísmo, altruísmo, perdão e redenção. Deus atua com sua Graça Comum e Especial no mundo, e trabalha para a renovação futura de todas as coisas. Assim sendo, penso que a realidade também engloba coisas como renovação, esperança, e principalmente, Governo e Providência de Deus.

Gosto de leituras que de uma forma ou de outra me remetem à estes valores e princípios, e até onde li de As Crônicas de Gelo e Fogo não vi e senti nada disso. A leitura tornou-se cansativa, pois ela acabou sendo um trabalho que não me comunicava nada, e no final ela era motivada apenas pelo desejo de saber o que iria acontecer com os personagens principais, e nada mais do que isso. Os livros que eu realmente gosto representam para mim bem mais do que simples curiosidade em saber dos acontecimentos da trama.

No final, o Google resolveu o meu problema, quando eu o usei para saber sobre os acontecimentos dos outros livros, e dei-me por satisfeito com isso.

[1] Considerando o título original, "Game of Thrones", a tradução deveria ser "Jogo dos Tronos", algo que, aliás, faz mais sentido com a estória.

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