9 de junho de 2014

Max Barry

Se você por um acaso ler o primeiro livro de um escritor que lhe era antes desconhecido em apenas dois dias, e se você depois repetir o feito com o próximo livro do mesmo autor que você empolgado adquiriu, então este é um forte indício de que você provavelmente acabou de encontrar um novo autor favorito. Foi exatamente este o meu caso, no que se refere ao escritor australiano Max Barry.

Ex-vendedor da Hewlett-Packard (HP), Max Barry escreve uma ficção de ritmo acelerado, coloquial e carregada de um tom satírico bem construído e especialmente voltado contra um ambiente que ele conhece bem, o mundo corporativo, colocando em cheque a sua "ética", a forma como nos relacionamos com ele, e em como ele afeta a sociedade de modo geral. Nisto o escritor ganhou a minha predileção, pois apesar de escrever seu texto às vezes em um estilo muito informal, com uso de uma linguagem até pesada, Barry acaba tecendo uma crítica que leva à uma autorreflexão sadia sobre as corporações e sobre nós mesmos; suas estórias nos fazem pensar em como em nome do lucro à qualquer custo, dos resultados, da eficiência, do suposto "progresso", ou até mesmo em nome do puro e simples "salvar a nossa pele" nós nos desumanizamos.

Em Homem-máquina, o autor conta a estória do cientista Charles Neumann e discute a nossa dependência tecnológica, a definição de ser humano e a ganância corporativa. Em A Companhia, romance dedicado à HP, Max Barry expõe todo o lado ridículo da cultura corporativa ao narrar o dia-a-dia de Stephen Jones, recém-chegado em uma empresa cujos funcionários são mais preocupados com disputas internas do que com o quê ela de fato produz (se é que produz alguma coisa). Por sua vez, a ótima e visceral distopia EU S/A apresenta um futuro onde o capitalismo imoral e selvagem é levado até os últimos limites, onde a maioria das pessoas são movidas pelo egoísmo e pelo consumismo, tendo por sobrenome o nome das empresas onde trabalham, e onde o governo tem pouca força de atuação; neste cenário futurista, que parece tão próximo de nós, a agente Jennifer Governo luta por fazer justiça, tentando capturar um inescrupuloso executivo de marketing responsável pela morte de vários adolescentes.

Ainda não li Syrup, seu primeiro trabalho, e Lexicon, seu último livro, lançado em 2013. Ambos ainda não foram traduzidos para o português, mas este útlimo, segundo nota no site do autor, está previsto para ser lançado pela Editora Intrínseca. De qualquer forma, as sinopses destes dois livros já me interessaram bastante, e pretendo lê-los assim que puder.

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