28 de junho de 2014

Comentários adicionais sobre Jesus Cristo como super-herói

Após ler o meu último post sobre a razão pela qual eu não considerar Jesus Cristo como sendo "o meu maior super-herói", um querido amigo alemão (que eu ainda tenho esperanças de que um dia voltará a blogar!) fez algumas boas observações adicionais sobre o assunto em um e-mail que enviou para mim. Observações simplesmente tão boas que tive que pedir sua permissão para compartilhá-las aqui, no que ele concordou, graças a Deus :)

Como ele mesmo ressaltou:

Existe outra razão pela qual eu não chamaria Jesus Cristo um super-herói: em Jesus Deus deu o Seu SIM para a humanidade. Jesus não é um ser humano com fraquezas ou falhas que também tem poderes especiais. Ele é um ser humano como Deus pensou que os humanos deveriam ser - o que é principalmente evidenciado no fato de que Jesus é absolutamente justo. Ele é completamente cheio de amor, misericórdia e fidelidade. Ele não é um pecador com algum poder extra - Ele é um homem segundo a vontade de Deus - sem qualquer estigma. Ele é o único verdadeiro ser humano enquanto que os super-heróis tentam ser mais do que seres humanos caídos.

23 de junho de 2014

Sobre super-heróis, heróis, e o Senhor Jesus Cristo

Ao longo das Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo é corretamente caracterizado, por exemplo, como sendo o Bom Pastor (Jo. 10:10,11), o Pão da Vida (Jo. 6:48), o Cordeiro de Deus (Jo. 1:36), o nosso Advogado (1 Jo. 2:1), o nosso Sumo Sacerdote (Hb. 3:1). Todas estas caracterizações apresentadas na Bíblia são coerentes com a Sua Pessoa e Obra e fazem sentido para mim. Seguindo esta mesma linha de comparações, e utilizando-se de um termo mais moderno e muito em voga ultimamente, algum tempo atrás ouvi alguém dizer que Jesus Cristo também seria o nosso maior "super-herói".

Apesar de ler HQ's de super-heróis já há vários anos, confesso que nunca havia pensado Nele nestes termos. Tal afirmação me levou à reflexão, e após meditando um tempo acabei finalmente concluindo que não, não vejo o Senhor Jesus como sendo "o meu super-herói".

Obviamente que esta é uma conclusão pessoal: outros podem ter uma opinião diferente, e não vejo problema algum com isso. O fato é que eu simplesmente não O vejo ou me relaciono com Ele em termos de "super-herói" da mesma forma como não O vejo, por exemplo, como um "mártir". Estevão tanto foi um mártir (At. 7) como também é corretamente considerado como o primeiro mártir cristão; semelhantemente, Tiradentes também pode ser considerado como um mártir. Por sua vez, não penso no Senhor Jesus em termos de "mártir" uma vez que Ele não foi preso e morto em nome de um ideal, crença ou fé, mas entregou a Sua vida voluntariamente e desde a Eternidade (Mt. 26:53; Lc. 24:26; Jo. 10:11,17,18; 1 Pe. 1:19,20) para resolver o problema fundamental da humanidade: a separação eterna de Deus, e Sua Santa Ira contra nós, devido aos nossos pecados.

Se para "mártir" considerei a definição encontrada no dicionário Oxford para explicar o porquê de não associar o termo com a Pessoa de Cristo, para "super-herói" utilizo a seguinte definição elaborada em um ensaio [1] entitulado Heroes and Superheroes, escrito por Jeph Loeb e Tom Morris:

Um super-herói é uma pessoa extraordinariamente poderosa, com pontos fortes e fracos, cujo caráter nobre o guia ou a guia em feitos dignos. [...] Um super-herói é um herói com poderes sobre-humanos, ou pelo menos agilidades humanas desenvolvidas à um nível sobre-humano.

Mesmo considerando que em algumas histórias em quadrinhos encontramos as chamadas "figuras de Cristo", como o Thor de Mark Millar nos dois primeiros volumes da série The Ultimates, ou o exemplo mais famoso no próprio Superman, eu não associo o Senhor Jesus com "super-herói" pois vejo que Ele É muito mais do que uma "pessoa extraordinariamente poderosa" ou um "herói com poderes sobre-humanos". A questão central para mim é que Jesus Cristo não é simplesmente um heroico "super-ser" ou " super-humano", mas algo bem além: Ele É essencialmente e de forma maravilhosa o Deus-Homem, perfeitamente Deus e perfeitamente Homem.

Além disso, também não O vejo como alguém que ajuda a humanidade a derrotar o mal, arriscando a sua vida em situações emergenciais, mas sim (e aqui repito-me) como alguém que veio entregar a Sua vida como Filho e Servo Obediente do Pai (Mt. 20:28; Fp. 2:58), a fim de resolver o nosso problema fundamental: o fato de sermos todos nós pecadores, todos nós seres finitos e culpados diante de um Deus Infinito, Moral, Santo e Justo.

Se o conceito de "super-herói" não serve em minha relação com o Senhor, o uso do conceito de "herói", por sua vez, é um pouco diferente.

Aquela definição de "herói" que associa a palavra ao "semideus" da mitologia grega, ou seja, à ideia do filho de um (falso) deus (imaginado pelo homem) e uma mulher mortal, que assim ocupa uma posição intermediária entre deuses e homens, também não me serve: Jesus Cristo é perfeitamente Deus e perfeitamente Homem, e não um ser híbrido que nem é Deus e nem Homem, fruto de um relacionamento sexual. Entretanto, pensando em "herói"como antes de tudo um conceito moral associado a alguém notável por feitos e qualidades nobres e que serve de modelo e inspiração para nossas vidas, ou mesmo pensando em "herói" no sentido de um "ilustre e valoroso guerreiro", aí não tenho nenhum problema em considerar o Senhor Jesus Cristo como o meu verdadeiro e maior Herói.

As próprias Escrituras Sagradas afirmam que Ele deve ser o nosso maior exemplo de vida (Jo. 13:14; 1 Co. 11:1; Fp. 3:17; Hb. 12:1,2; 1 Pe. 2:21), e o cristão deve ter Cristo como seu grande modelo nas mais diversas situações. Além disso, as próprias Escrituras também apresentam Jesus como o "mais valente" (Lc. 11:22), como aquele que derrota a morte e o Diabo tanto como o Cordeiro de Deus imolado na cruz (Cl. 2:13-15; Hb. 2:14,15) como o glorioso Rei-Guerreiro-Cavaleiro em sua segunda vinda (Ap. 19:11-21).

E por tudo isso, digo que sim, Jesus Cristo é o meu verdadeiro e maior Herói.

[1] Trecho encontrado no capítulo 2 do livro Superheroes and Philosophy.

15 de junho de 2014

Peter Parker e Mary Jane

A última página de Amazing Spider-Man #290 registra um dos momentos mais importantes da vida de Peter Parker, quando ele finalmente pergunta para Mary Jane:


E a resposta, dada em Amazing Spider-Man #292, foi "sim".

Estou perfeitamente ciente da opinião geral de que Peter Parker é um tipo de personagem que funciona melhor como sendo solteiro, ou que eles nunca deveriam ter se casado, e etcetera. Entretanto, não consigo deixar de sentir falta de vê-los juntos, como marido e esposa, nas estórias do hero aracnídeo; de ver como eles, no contexto do casamento, em bons ou maus momentos, se ajudavam, contavam sempre um com o outro, e sobretudo se amavam de verdade. Eram estórias que mostravam como o amor, mais do que um sentimento ou uma atração mútua, é uma atitude diária que envolve perdão, respeito, comunicação e recomeço.

Fico feliz de ter uma ótima coleção destas boas e velhas estórias para ler porque, sendo bem sincero, eu raramente compro novas edições do Homem-Aranha depois da deplorável decisão editorial da Marvel, e pretendo continuar não comprando.

9 de junho de 2014

Max Barry

Se você por um acaso ler o primeiro livro de um escritor que lhe era antes desconhecido em apenas dois dias, e se você depois repetir o feito com o próximo livro do mesmo autor que você empolgado adquiriu, então este é um forte indício de que você provavelmente acabou de encontrar um novo autor favorito. Foi exatamente este o meu caso, no que se refere ao escritor australiano Max Barry.

Ex-vendedor da Hewlett-Packard (HP), Max Barry escreve uma ficção de ritmo acelerado, coloquial e carregada de um tom satírico bem construído e especialmente voltado contra um ambiente que ele conhece bem, o mundo corporativo, colocando em cheque a sua "ética", a forma como nos relacionamos com ele, e em como ele afeta a sociedade de modo geral. Nisto o escritor ganhou a minha predileção, pois apesar de escrever seu texto às vezes em um estilo muito informal, com uso de uma linguagem até pesada, Barry acaba tecendo uma crítica que leva à uma autorreflexão sadia sobre as corporações e sobre nós mesmos; suas estórias nos fazem pensar em como em nome do lucro à qualquer custo, dos resultados, da eficiência, do suposto "progresso", ou até mesmo em nome do puro e simples "salvar a nossa pele" nós nos desumanizamos.

Em Homem-máquina, o autor conta a estória do cientista Charles Neumann e discute a nossa dependência tecnológica, a definição de ser humano e a ganância corporativa. Em A Companhia, romance dedicado à HP, Max Barry expõe todo o lado ridículo da cultura corporativa ao narrar o dia-a-dia de Stephen Jones, recém-chegado em uma empresa cujos funcionários são mais preocupados com disputas internas do que com o quê ela de fato produz (se é que produz alguma coisa). Por sua vez, a ótima e visceral distopia EU S/A apresenta um futuro onde o capitalismo imoral e selvagem é levado até os últimos limites, onde a maioria das pessoas são movidas pelo egoísmo e pelo consumismo, tendo por sobrenome o nome das empresas onde trabalham, e onde o governo tem pouca força de atuação; neste cenário futurista, que parece tão próximo de nós, a agente Jennifer Governo luta por fazer justiça, tentando capturar um inescrupuloso executivo de marketing responsável pela morte de vários adolescentes.

Ainda não li Syrup, seu primeiro trabalho, e Lexicon, seu último livro, lançado em 2013. Ambos ainda não foram traduzidos para o português, mas este útlimo, segundo nota no site do autor, está previsto para ser lançado pela Editora Intrínseca. De qualquer forma, as sinopses destes dois livros já me interessaram bastante, e pretendo lê-los assim que puder.