4 de maio de 2014

Intenções diferentes

Sempre acreditei que viver em unidade com Deus em Cristo não significa necessariamente perder as nossas identidades, mas sim que elas estão livres do pecado; no presente momento estamos livres do poder e da condenação do pecado, e no futuro estaremos livres até mesmo de sua presença. Deus quer que sejamos um com Ele, mas sem nos assimilar ou nos cancelar. Por outro lado, o Diabo, o inimigo de nossas almas (não de Deus, mas nosso inimigo!) tem intenções completamente diferentes: ele quer nos destruir, nos anular.

Jesus Cristo me salvou, Ele é o meu Senhor e Deus, eu estou unido com Ele, mas eu ainda sou "eu", e quando finalmente Ele voltar e renovar todas as coisas, eu ainda serei "eu". Alguém restaurado, mas ainda uma pessoa com uma identidade. E por quê? Porque a minha identidade é criação de Deus para a Sua Glória, e tudo o que Ele cria é bom. Por agora a minha identidade é corrompida pelo pecado, mas isso não vai durar para sempre. O problema é a corrupção da identidade, e não a identidade em si.

C. S. Lewis parecia concordar com o meu pensamento, como pode ser visto em um trecho do capítulo 8 do seu fantástico livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, onde o personagem demônio Fitafuso, em uma das suas lições para o seu sobrinho demônio Vermebile, revela o quão completamente diferentes são as intenções de Deus e do Diabo no que se refere a nós:

[...] Temos de admitir que toda aquela conversa sobre Seu amor pelos homens e sobre o fato de que o serviço a Ele é perfeita liberdade não é, como acreditaríamos de bom grado, mera propaganda, mas uma terrível verdade. Ele realmente quer preencher o universo com inúmeras réplicas repugnantes de Si mesmo - criaturas cuja vida, em escala menor, será qualitativamente como a d'Ele, não porque Ele as absorveu, e sim porque a vontade deles está em espontânea harmonia com a d'Ele. Nós queremos apenas um gado que finalmente poderá ser transformado em alimento; Ele quer servos que finalmente poderão tornar-se filhos. Nós queremos sugá-los; Ele quer fortalecê-los. Somos vazios, e por isso queremos ser preenchidos; Ele está repleto e transborda. Nosso objetivo nessa guerra é um mundo no qual Nosso Pai nas Profundezas possa absorver todos os outros seres nele mesmo; o Inimigo quer um mundo repleto de seres unidos a Ele e ainda assim distintos. [...]

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