9 de abril de 2014

Noé, de Darren Aronofsky

Sempre acompanhei com bastante interesse o projeto de Darren Aronofsky do filme Noé, desde o momento em que descobri em 2011 que o diretor iria primeiramente publicar sua estória na Europa como uma série de graphic novels dividida em 4 partes, co-escrita por Ari Handel e ilustrada por Nico Henrichon. Consegui com alegria adquirir as edições alemãs (o último volume foi publicado na semana passada na Alemanha), e até mesmo cheguei a escrever um texto com as minhas impressões do primeiro volume, publicado no site The Sci-Fi Christian no ano passado.

Entretanto, não consegui evitar um certo desapontamento após ter assistido ao filme na semana passada. Fiquei tão desapontado que cheguei na ocasião até mesmo a afirmar em redes sociais que Noé fora tão desapontador para mim quanto Homem de Ferro 3 tinha sido, o que é a mesma coisa que dizer que, na minha opinião, o filme era muito, muito ruim.

Eu nunca tive expectativas de que Darren Aronofsky fosse fazer um filme sobre Noé que seria bíblico e aprovado pelos cristãos, e portanto não fiquei desapontado por este motivo. Em primeiro lugar, eu já tinha lido boa parte das graphic novels, e já sabia o que esperar da estória; em segundo lugar, o filme é um blockbuster hollywoodiano, produzido por um ateu que com certeza é um ótimo e talentoso diretor, responsável por alguns filmes bons e intrigantes, mas que não tem uma relação com Deus, ou a preocupação de glorificá-Lo através do uso dos seus talentos.

Em todo caso, conforme explicação de Brian Godawa em seu blog, mesmo a versão do Noé aprovada pelos cristãos e geralmente ensinada nas Escolas Dominicais não é assim tão precisa como algums acreditam que seja.

Sendo assim, acredito que as razões pelas quais fiquei desapontado com Noé podem ser sumarizadas da seguinte forma:

1) Eu realmente gosto bastante das graphic novels, e acho que a estória está bem melhor desenvolvida lá do que no filme. Não que lá ela esteja completamente fiel ao texto biblico, mas acho que seja de qualquer forma uma boa fantasia baseada na Bíblia ou em tradições judaicas.

2) As graphic novels (especialmente o primeiro volume) apresentam um engenhoso e bem elaborado mundo estilo pós-apocalíptico que realmente me impressionou. O filme tentou apresentá-lo da mesma forma, mas não conseguiu fazê-lo na mesma escala.

3) Pelo visto, quando Noé disse "eu não estou sozinho" para Tubal-cain, ele não estava se referindo a Deus mas sim aos Vigias. Isso meio que me desapontou. Poderia ter sido a minha cena favorita do filme.

4) Falando neles, os Vigias de Aronofsky não são "gigantes de pedra" nas graphic novels. Assim, no final, acho que eles estão melhor retratados lá do que no filme. Muito melhor, na minha humilde opinião.

5) Toda aquela coisa da pele da serpente pareceu-me algo bem estranho. Alguns até afirmaram que aquilo é uma referência ao Gnosticismo, e eles podem estar certos. De qualquer forma isso não consta nas graphic novels, e eu fiquei meio surpreso de ver este tipo de coisa no filme.

6) Parece que eu realmente não aprecio muito a atuação da Emma Watson.

Por outro lado, consegui pensar em alguns pontos positivos do Noé de Darren Aronofsky:

1) O filme mostrou que Noé recebeu uma missão de Deus, e mesmo que ele estivesse sob Sua direção, não foi a mesma direção que a Bíblia afirma que Noé tinha recebido. Por conta disso, o filme acabou me relembrando como a direção de Deus e o relacionamento com Ele fazem toda a diferença na vida de alguém.

2) Podemos ver no filme como Noé teve problemas em interpretar a vontade de Deus em todos as coisas, e os cristãos também lutam contra isso. Nós temos a tendência de ficarmos ansiosos em saber o quê Deus quer que a gente faça ou não faça nas situações da vida, mas na realidade a Bíblia revela para nós que a vontade de Deus para as nossas vidas é simplesmente que Ele quer que sejamos como Cristo Jesus. Qualquer coisa que façamos, nós precisamos ser como Cristo, e Deus estará conosco. Assim, o filme também me fez pensar nisso.

3) As cenas do Dilúvio ficaram realmente muito legais. Tanto o Dilúvio propriamente dito bem como as cenas que mostram como ele acabou afetando a família de Noé dentro a arca.

4) Russel Crowe no papel de Noé foi uma ótima escolha para o filme.

Assim sendo, eu volto atrás. Noé não é como Homem de Ferro 3 para mim. Homem de Ferro 3 é muito, muito pior :)

A série de graphic novels em 4 partes foi recentemente lançada em uma única edição capa-dura pela Image Comics nos Estados Unidos, e eu realmente a recomendo. Ela é uma boa estória de fantasia, digna de leitura.

2 comentários:

Priscilla Carvalho disse...

[spoilers] Eu achei bizarro o Tubal-cain se alimentar dos bichos da arca... E outra, o Cam além de ser um pamonha no filme, pareceu terminar sozinho E solitário, quando na verdade foi patriarca de algumas nações. Também não esperava que fosse fiel à Bíblia, mas achei o filme medíocre...

"3) Pelo visto, quando Noé disse "eu não estou sozinho" para Tubal-cain, ele não estava se referindo a Deus mas sim aos Vigias. Isso meio que me desapontou. Poderia ter sido a minha cena favorita do filme." - Aplausos pelo comentário. Senti EXATAMENTE a mesma coisa nessa cena.

Cristiano Silva disse...

Sabe que, agora que você citou o Cam, acabei me lembrando que ele ficou melhor retratado também nas HQ's.

Abraços!