6 de dezembro de 2014

"Para onde foram os créditos?"

Estou simplesmente adorando ler Prelúdio à Fundação de Isaac Asimov; um daqueles livros que me faz sentir triste todas as vezes que eu chego de manhã no escritório para trabalhar, pelo simples fato de que terei que interromper a sua leitura. Isso não apenas porque é mais um ótimo trabalho de um dos meus autores preferidos em uma das mais importantes séries de ficção científica de todos os tempos, mas também porque frequentemente me faz ponderar, entre outras coisas, sobre problemas econômicos e políticos, especialmente aqueles da minha "pátria mãe gentil", o Brasil.

Foi exatamente isso o que aconteceu quando eu li na estória a conversa entre o jornalista Chetter Hummin e o matemático Hari Seldon. No capítulo 14 por exemplo, ao continuar com suas explicações dos motivos pelos quais o Império Galáctico estaria morrendo, Hummin comenta sobre um conhecido problema de desequilíbrio socioeconômico ao responder a seguinte indagação do matemático: "para onde foram os créditos?"

Para outras coisas. Tivemos séculos de inquietações. A Marinha é muito maior e muito mais cara do que jamais foi. As forças militares recebem salários muito bons para ficarem quietas. Tumultos, revoltas e pequenos estouros de guerra civil têm o seu preço. [...] soldados bem pagos ficariam ressentidos caso seus salários fossem reduzidos apenas porque há paz. Almirantes resistem a tirar espaçonaves de serviço e a diminuírem os próprios cargos pelo simples motivo de, assim, haver menos coisas para fazerem. Portanto, os créditos ainda vão para as forças militares, o que não é produtivo, e áreas vitais do bem-estar social acabem largadas e se deterioram. É isso que chamo de decadência. Você não chamaria?

Sim, com certeza. Quanto maiores as instituições do governo, mais caras e burocráticas elas são, e acabam se transformando em um peso para a sociedade inteira.

Simples assim.

2 de dezembro de 2014

2014

Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. (Salmo 34:18)

Estou bem certo que 2014 ficará para sempre na minha memória como o ano em que finalmente compreendi o quão frágeis e vulneráveis nós (humanos fracotes!) realmente somos, e mais especificamente o quão frágil e vulnerável eu sou.

Colocando de forma simples, este ano passei por algumas experiências que dolorosamente expuseram a minha própria fragilidade, me afetando em um nível bem pessoal. Eu ainda estou aprendendo a lidar com esta nova realidade em minha vida, mas devo dizer que já admito que precisava disso.

E por quê? Porque agora sinto que posso empatizar com as outras pessoas (amigos especialmente) em seu sofrimento, e ajudá-as melhor. Porque eu pude parar e pensar sobre mim mesmo, sobre como vejo e lido com algumas coisas, e os erros que cometi ao longo dos anos. E mais importante do que tudo, porque eu pude compreender mais profundamente a grande importância de ter um relacionamento real com Deus por meio de Cristo Jesus, algo que realmente (de verdade!) faz toda a diferença no mundo.

Eu preciso mudar e crescer, e quero que isso aconteça através da ação de Deus. Existem coisas que eu não posso controlar, prever ou mudar, mas ao invés de me entregar à ansiedade por conta delas eu preciso aprender a confiar que Deus estará comigo nestas situações. Ao invés de me refugiar em uma bolha do tradicionalismo, intelectualismo e entretenimento, eu preciso entender a mim mesmo, e aprender a lidar melhor com pessoas e problemas inevitáveis, procurando refúgio no Deus Todo Poderoso que ajuda pessoas em situações e problemas muito piores que encontro.

Eu sou tão, tão imperfeito. Que Deus esteja comigo, e tenha misericórdia de mim, pecador que sou.

22 de novembro de 2014

A última carta de C. S. Lewis

No dia 22 de Novembro de 1963 o mundo perdia o escritor, professor de literatura inglesa e apologista cristão C. S. Lewis, um dos maiores pensadores do último século, aclamado pela sua intelectualidade, espiritualidade e criatividade, inspirando gerações de cristãos com seus textos e estórias.

Muitos de seus livros já foram traduzidos no Brasil, e espero que ele seja cada vez mais lido em nosso país. Na minha humilde opinião (sim, de fã), Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, As Crônicas de Nárnia: A Última Batalha e Além do Planeta Silencioso são livros fantásticos, trabalhos de ficção fundamentais que todos, cristãos ou não, simplesmente deveriam ler.

"Jack", como era conhecido pelos mais íntimos, foi um prolífico autor de correspondências, trocadas ao longo dos anos com amigos e admiradores do seu trabalho, e segundo consta em The Collected Letters of C. S. Lewis, volume 3, um dia antes de seu falecimento ele escreveu a sua (provável) última carta, que republico à seguir:

Para Philip Thompson

The Kilns, Kiln Lane Headington Quarry, Oxford.


21 de Novembro de 1963


Caro Philip Thompson,


Para começar, deixe-me parabenizá-lo por escrever uma carta notavelmente tão boa; eu certamente não poderia tê-la escrito na sua idade. E continuando, obrigado por me dizer que gosta dos meus livros, algo que um autor sempre fica satisfeito em ouvir. É engraçado que todas as crianças que me escreveram enxergam imediatamente quem Aslan é, e os adultos nunca o fazem!


E não li a reimpressão da Puffin que você se refere [1], por isso com certeza eu não vi o erro; mas eu vou chamar a atenção do editor quanto à isso.


Por favor diga ao seu pai e mãe o quanto estou feliz por ouvir que eles vêem algum valor em meus livros sérios.


Com os meus melhores votos a você e a seus pais,


Atenciosamente de seu


C. S. Lewis


Clive Staples Lewis é um dos meus autores prediletos, e John Piper em seu espetacular sermão Lessons from an Inconsolable Soul - Learning from the Mind and Heart of C. S. Lewis explica maravilhosamente bem os motivos disso :)

[1] Segundo a nota explicativa no. 182, possivelmente se trata da edição da Puffin de O Sobrinho do Mago, lançada em 27 de Junho de 1963.

15 de novembro de 2014

As Crônicas de Gelo e Fogo

A série As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin é um inegável sucesso. Os livros são muitíssimo celebrados, especialmente entre os nerds/geeks, e a série de TV produzida pela HBO é considerada como umas das melhores dos últimos anos. George R. R. Martin é um escritor talentoso, e até mesmo chegou a ser chamado de "Tolkien americano". Embora eu ache que esta comparação seja um pouco exagerada ela no entanto mostra a atual importância do autor para o gênero da literatura fantástica.

Com todo o seu contexto medieval e fantástico, naturalmente que os livros teriam um apelo garantido para mim, e parti para a leitura da série há algum tempo atrás. De todos os volumes lançados até hoje, li o primeiro, Guerra dos Tronos [1], e após começar a ler o segundo, A Fúria dos Reis, parei.

Não nego a qualidade técnica da obra e nem o talento do escritor, mas durante sua leitura percebi que no final das contas a série simplesmente não faz o meu estilo. Ou em outras palavras: se existem alguns livros que me relembram o tipo de literatura que eu realmente aprecio, então a série As Crônicas de Gelo e Fogo é um exemplo disso.

Pessoalmente, não tenho problemas em aceitar elementos mais violentos em estórias, desde que sirvam e façam sentido na trama; já se tratando das cenas sensuais e de sexo, que também fazem a fama dos livros e especialmente da série de TV, sou da humilde opinião de que boas estórias podem ser feitas sem elas, e para mim a série exagera nisso. Estes motivos podem ter contribuído em minha decisão, mas existe outro que levou-me a perder o interesse por As Crônicas de Gelo e Fogo: como leitor, não consegui criar um "relacionamento" com a estória, em um nível mais pessoal.

Ao meu ver, o mundo fantástico criado por George R. R. Martin nesta série é um lugar extremamente cruel, violento e traiçoeiro, moralmente ambíguo, quase sem heroísmo, onde a vingança acaba sendo na prática o único instrumento de justiça que existe. Um lugar onde a honestidade e a integridade podem custar a cabeça, como acabou acontecendo com o personagem Ned Stark, o meu favorito e que morreu logo no primeiro livro.

(Ned Stark, pobre coitado, não sabia "jogar o jogo", como o anão Tyrion Lannister parece fazer tão bem.)

Para muitos, este mundo descrito em As Crônicas de Gelo e Fogo seria um retrato fiel do nosso mundo, algo que contaria como outra das qualidades da série, mas eu não penso assim. Aliás, acho que ele acaba sendo um mundo tão sombrio que chega ao ponto de ser irreal demais.

Porque a vida, mesmo neste mundo cheio de coisas ruins, é mais do que um jogo de poder ou uma guerra de paixões. Deus existe, e isso faz toda a diferença no mundo.

Concordo que o nosso mundo é um lugar violento e cruel, e não só isso, concordo com a Bíblia quando ela fala que na verdade o nosso mundo se encontra nas mãos do Maligno (1 Jo. 5:19). Entretanto, não acho que a realidade se limita apenas à este fato; ainda existem coisas como justiça, heroísmo, altruísmo, perdão e redenção. Deus atua com sua Graça Comum e Especial no mundo, e trabalha para a renovação futura de todas as coisas. Assim sendo, penso que a realidade também engloba coisas como renovação, esperança, e principalmente, Governo e Providência de Deus.

Gosto de leituras que de uma forma ou de outra me remetem à estes valores e princípios, e até onde li de As Crônicas de Gelo e Fogo não vi e senti nada disso. A leitura tornou-se cansativa, pois ela acabou sendo um trabalho que não me comunicava nada, e no final ela era motivada apenas pelo desejo de saber o que iria acontecer com os personagens principais, e nada mais do que isso. Os livros que eu realmente gosto representam para mim bem mais do que simples curiosidade em saber dos acontecimentos da trama.

No final, o Google resolveu o meu problema, quando eu o usei para saber sobre os acontecimentos dos outros livros, e dei-me por satisfeito com isso.

[1] Considerando o título original, "Game of Thrones", a tradução deveria ser "Jogo dos Tronos", algo que, aliás, faz mais sentido com a estória.

13 de novembro de 2014

Vivam as edições impressas!

Comprar os livros da série As Crônicas de Nárnia para a minha sobrinha fez com que eu parasse para pensar e relembrar os motivos de eu ainda gostar tanto das edições impressas: o fato de enxergar nelas o emprego daquele toque pessoal, artístico e íntimo que não vejo nas edições digitais.

Claro que à grosso modo as duas são apenas diferentes formas de distribuição; cada uma com o seu processo específico a fim de atender demandas específicas, mas em termos gerais, tratam-se apenas de jeitos de se distribuir um livro. O objeto final em si, tanto num quanto outro, terá a mesma estrutura interna, e tanto as edições impressas quanto as digitais valem-se de processos automáticos para a sua geração.

Entretanto, quando cito o toque pessoal, artístico e íntimo que vejo nas edições impressas não estou me referindo à sua geração, mas sim ao seu uso.

Porque quando você tem a edição impressa de um livro, você tem contato com um material fisicamente trabalhado e organizado de tal forma a lhe proporcionar um prazer visual e tátil (e para alguns até mesmo olfativo) através do emprego de coisas como o tipo e a cor da fonte escolhida para o texto, o tipo do papel, a arte visual (da capa ou interna) e a própria encadernação em si. Este é um tipo de experiência que a digitalização não é capaz de proporcionar.

Porque quando você está emprestando um livro impresso para alguém, você está tirando fisicamente um objeto que lhe é caro de sua coleção particular e entregando aos cuidados de outra pessoa, como num ato de confiança e coragem que pode levar à criação de um vínculo. Isso é muito mais difícil de se fazer e profundo do que simplesmente permitir o acesso à leitura de um conjunto de bytes guardados na nuvem computacional.

Porque quando, como foi no meu caso, você está presenteando uma coleção de livros impressos para a sua sobrinha querida, você investe parte do seu tempo para tentar construir uma espécie de representação física de um sentimento que você nutre por ela; não só pelo fato de você decidir compartilhar uma estória que lhe é pessoalmente cara, mas de você ter tido de se deslocar para várias livrarias para tentar encontrar aquelas edições específicas, de fazer ligações interurbanas para lojas, de parar para pensar e escrever dedicatórias de seu próprio punho para ela, de escolher um bonito papel de embrulho, tudo isso para no final ver o sorriso no rosto de uma criança ao receber em mãos um presente de um tio caladão e sem muito jeito para as coisas, mas que a ama muito.

Como isso poderia ser feito se eu ao invés estivesse "presenteando" as edições digitais?

Como feliz proprietário de um Kindle e de uma conta no comiXology, eu compro sim edições digitais de livros e HQ's; acho que eles apresentam algumas vantagens específicas muito boas e que vieram para ficar. E que bom que vieram. Contudo, não sou daqueles que só veem valor em novidades, e desprezam os "livros em papel" como "coisa velha e ultrapassada". Acho que as edições impressas tem qualidades inerentes que as tornam superiores em alguns pontos, e não, não acho que elas vão acabar.

10 de novembro de 2014

Lexicon

Em um post anterior, comentei como o escritor australiano Max Barry havia se tornado um dos meus autores prediletos, citando que eu ainda precisava ler Syrup, seu primeiro livro, e Lexicon, o seu trabalho mais recente.

Esta semana terminei a leitura de Lexicon quase que da mesma forma como li seus outros livros: cativado pela trama, não conseguia parar de lê-lo. Devo dizer entretanto que me decepcionei um pouco com este trabalho, no sentido de que enquanto eu havia considerado todas as suas outras estórias como sendo críticas inteligentes a algumas ideias e instituições da nossa sociedade corporativa, achei que Lexicon é apenas isso: uma boa ficção. Com toda certeza um ótimo thriller, mas sem aquele olhar crítico que havia me conquistado anteriormente.

Resta agora ler Syrup, e pelo que já pude ver, esta parece ser uma ficção nos mesmos moldes de seus outros livros, ou seja, com algo a dizer sobre algum aspecto da nossa vida moderna, o que sugere que será outro de seus trabalhos que irei gostar bastante. Mas ainda não desisti de Lexicon; não pretendo relê-lo em um futuro próximo, mas pretendo contudo ler alguns reviews sobre o livro, a fim de que, quem sabe, perceber se o autor estava analisando algo que passou batido por este leitor imaturo.

9 de novembro de 2014

Interestelar

[ texto com alguns spoilers ]

De forma geral, Interestelar, o mais novo filme de Christopher Nolan, não me decepcionou: uma estória linda e ao mesmo tempo bem fundamentada aliada à uma fotografia de tirar o fôlego resultando (em minha humilde opinião não profissional) em um dos melhores filmes de ficção científica já feitos.

Muito mais do que uma mensagem sobre o perigo de um apocalipse ambiental global, ao meu ver o filme é uma bonita defesa da capacidade humana de sonhar, de explorar, de desbravar novos horizontes, e aí sim sobre o perigo de perdermos esta capacidade. Não só isso, o filme retrata também como o amor que sentimos uns pelos outros deve ser nosso guia nesta jornada rumo à um futuro melhor, mais grandioso; sem ele como nosso guia, perdemos a nossa própria humanidade.

Como particularmente eu não acredito ser possível um futuro melhor e mais grandioso para a humanidade à parte de Deus, neste aspecto fica o meu ponto negativo sobre o filme: ele é mais uma estória baseada naquela velha ideia sci-fi de que vamos evoluir ao ponto de nos tornarmos quase que verdadeiros deuses, autores dos nossos próprios destinos no universo. Acho sempre bom ver estórias que reconhecem o fato de que precisamos de algo maior do que nós mesmos para nos desenvolvermos, mas à medida em que o tempo passa fico mais triste de perceber como o mundo não reconhece de que este Alguém que ele precisa é o Homem-Deus, Cristo Jesus, nosso próprio Criador.

O Ser Supremo que não enxerga apenas uma massa enorme de seres evolutivos, mas que criou e conhece cada um nós, intimamente, pelo nosso próprio nome, e que nos amou ao ponto de entrar no espaço-tempo e tornar-se um ser humano, como um de nós. Ninguém menos do que o próprio Senhor Deus demonstrou em Cristo Jesus esta outra bela mensagem do filme, de que o amor transcende o tempo e o espaço, justamente porque era disso que precisávamos para garantir nosso futuro melhor e mais grandioso, em toda a sua plenitude.

Em todo o caso, o filme é ótimo, e parabéns ao Christopher Nolan por mais este belo trabalho. Eis um homem que sabe usar com maestria o dom que Deus lhe deu.

4 de agosto de 2014

Imagine por um momento

Pare um pouco e imagine por um instante que exista algo capaz de satisfazer a sua alma de forma completa, perfeita e para todo o sempre, a tal ponto que você se torna até mesmo incapaz de morrer fisicamente. Algo tão extraordinário mas ao mesmo tempo tão real que você se vê racionalmente obrigado a redefinir os seus conceitos de "bom", "felicidade" e "paz", como se você nunca os tivesse realmente conhecido antes; como se eles tivessem se tornado sombra de algo que agora você compreende bem. Imagine, apenas por um instante, que exista algo assim tão definitivamente bom que só o fato de você pensar na possibilidade de ficar longe dele já seria suficiente para deixá-lo desesperado, como se isso representasse para você uma verdadeira condenação.

Imagine agora que você tem exatamente este problema: tal fonte de alegria plena e eterna que descrevi existe, mas você não pode ter acesso a ela por ter sido considerado, de maneira justa por uma Autoridade legítima e máxima, indigno dela. Diante de tal veredicto as coisas perdem o sentido, adquirem um peso de morte, e você cai em depressão.

Neste cenário desolador, não seria maravilhoso se alguém lhe dissesse que sim, existe um meio de se chegar a tal lugar, de usufruir deste estado, uma forma legítima de se conquistar este verdadeiro tesouro? Isso não seria uma ótima notícia?

Pois o Evangelho de Jesus Cristo é exatamente esta ótima notícia. Aliás, "evangelho", uma palavra de origem grega que significa exatamente isso: "boa mensagem", "boa notícia" ou "boas-novas". E digo isso porque todo este exercício de imaginação que propus até aqui é na realidade a mais pura verdade.

Sim, pela Graça de Deus existem coisas boas em nosso mundo, alvo de merecida estima e valor de nossa parte, mas nenhuma delas é capaz de nos dar vida eterna. Existem práticas boas, objetivos e resultados louváveis, mas nenhum deles podem produzir plenos prazer, alegria e paz. Não podemos nos iludir: religiosidade, exercícios de meditação, ganhar o prêmio recorde da loteria, alta performance profissional, desenvoltura técnica e etceteras, nada disso é capaz de satisfazer a nossa alma plenamente, perfeitamente e para todo o sempre.

A boa notícia (evangelho!) é que o próprio Rei do Universo tornou-se o Cristo, o nosso Salvador, e quando rompemos com o nosso orgulho e arrependidos reconhecemos a necessidade de Sua morte e ressurreição (ou seja, quando O aceitamos) temos livre acesso à Fonte Suprema de Alegria Perfeita, Paz Completa e Vida Eterna.

O próprio Deus.

Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6)

Ouça a mensagem. Compreenda-a. Reconheça a sua corrupção e arrependa-se. Entregue sua vida a Cristo, e torne-se uma pessoa nova, renascida, e de posse da vida eterna.

2 de agosto de 2014

Conhecimento e experiência

Sou leitor do blog Into Thy Calm de Jon Vowell já há alguns anos, e sou grato a Deus por sustentar a vida e o trabalho deste rebelde ortodoxo. Sempre aprendo muito com ele, com seus textos muito bem elaborados, de uma grande qualidade literária e profundidade espiritual.

Ao participar de uma discussão sobre as categorias de (des)crentes em seu blog, eu questionei Jon sobre esta tendência moderna (ou pós-moderna?) de alguns cristãos que dizem querer somente a "experiência", deixando de lado o "conhecimento" ou o "entendimento", já que, segundo afirmam, seriam menos importantes. Quanto à isso ele me deu uma resposta simples e ao mesmo tempo muito boa [1] que considero ser tanto digna de nota quanto de ser compartilhada:

Ter "experiência" sem receber conhecimento dela ou sobre ela é como partir em uma jornada sem um mapa ou um destino. Se não há conhecimento para guiar as nossas experiências, e não há entendimento para ser recebido delas, então afinal qual o ponto destas experiências? A resposta é que não existe ponto algum. Elas perdem todo o significado.

A experiência é valiosa porque ela envolve o mundo onde vivemos, as coisas nas quais nós (muito literalmente) temos contato. Umas das belezas fundamentais do Cristianismo é que Deus não nos deixou sozinhos em nossas experiências. Ele nos deu conhecimento sobre elas e para elas. Não um conhecimento completo, mas um conhecimento verdadeiro.


Concordo completamente com ele. Os cristãos não deveriam separar conhecimento e experiência; elas andam juntas. Podemos não ter conhecimento exaustivo de todas as coisas, e de fato não o temos, mas isso não significa que não há qualquer conhecimento a ser compreendido.

Existe um Deus real para ser conhecido, e podemos conhecê-Lo, mesmo que não completamente, através da leitura das Escrituras Sagradas sob a orientação do Espirito Santo [2]. Este é o conhecimento básico que faz toda a diferença nas experiências da nossa vida.

Os textos de Jon Vowell são alimento para a mente e para o espírito. Recomendo a todos.

[1] Sempre gostei do "simples e bom". Na verdade, penso que a beleza está na simplicidade.

[2] Todos devem ter acesso, livre, à Bíblia Sagrada, mas isso não significa dizer que ela pode ser lida de forma desregrada ou sem orientação.

28 de junho de 2014

Comentários adicionais sobre Jesus Cristo como super-herói

Após ler o meu último post sobre a razão pela qual eu não considerar Jesus Cristo como sendo "o meu maior super-herói", um querido amigo alemão (que eu ainda tenho esperanças de que um dia voltará a blogar!) fez algumas boas observações adicionais sobre o assunto em um e-mail que enviou para mim. Observações simplesmente tão boas que tive que pedir sua permissão para compartilhá-las aqui, no que ele concordou, graças a Deus :)

Como ele mesmo ressaltou:

Existe outra razão pela qual eu não chamaria Jesus Cristo um super-herói: em Jesus Deus deu o Seu SIM para a humanidade. Jesus não é um ser humano com fraquezas ou falhas que também tem poderes especiais. Ele é um ser humano como Deus pensou que os humanos deveriam ser - o que é principalmente evidenciado no fato de que Jesus é absolutamente justo. Ele é completamente cheio de amor, misericórdia e fidelidade. Ele não é um pecador com algum poder extra - Ele é um homem segundo a vontade de Deus - sem qualquer estigma. Ele é o único verdadeiro ser humano enquanto que os super-heróis tentam ser mais do que seres humanos caídos.

23 de junho de 2014

Sobre super-heróis, heróis, e o Senhor Jesus Cristo

Ao longo das Escrituras Sagradas, o Senhor Jesus Cristo é corretamente caracterizado, por exemplo, como sendo o Bom Pastor (Jo. 10:10,11), o Pão da Vida (Jo. 6:48), o Cordeiro de Deus (Jo. 1:36), o nosso Advogado (1 Jo. 2:1), o nosso Sumo Sacerdote (Hb. 3:1). Todas estas caracterizações apresentadas na Bíblia são coerentes com a Sua Pessoa e Obra e fazem sentido para mim. Seguindo esta mesma linha de comparações, e utilizando-se de um termo mais moderno e muito em voga ultimamente, algum tempo atrás ouvi alguém dizer que Jesus Cristo também seria o nosso maior "super-herói".

Apesar de ler HQ's de super-heróis já há vários anos, confesso que nunca havia pensado Nele nestes termos. Tal afirmação me levou à reflexão, e após meditando um tempo acabei finalmente concluindo que não, não vejo o Senhor Jesus como sendo "o meu super-herói".

Obviamente que esta é uma conclusão pessoal: outros podem ter uma opinião diferente, e não vejo problema algum com isso. O fato é que eu simplesmente não O vejo ou me relaciono com Ele em termos de "super-herói" da mesma forma como não O vejo, por exemplo, como um "mártir". Estevão tanto foi um mártir (At. 7) como também é corretamente considerado como o primeiro mártir cristão; semelhantemente, Tiradentes também pode ser considerado como um mártir. Por sua vez, não penso no Senhor Jesus em termos de "mártir" uma vez que Ele não foi preso e morto em nome de um ideal, crença ou fé, mas entregou a Sua vida voluntariamente e desde a Eternidade (Mt. 26:53; Lc. 24:26; Jo. 10:11,17,18; 1 Pe. 1:19,20) para resolver o problema fundamental da humanidade: a separação eterna de Deus, e Sua Santa Ira contra nós, devido aos nossos pecados.

Se para "mártir" considerei a definição encontrada no dicionário Oxford para explicar o porquê de não associar o termo com a Pessoa de Cristo, para "super-herói" utilizo a seguinte definição elaborada em um ensaio [1] entitulado Heroes and Superheroes, escrito por Jeph Loeb e Tom Morris:

Um super-herói é uma pessoa extraordinariamente poderosa, com pontos fortes e fracos, cujo caráter nobre o guia ou a guia em feitos dignos. [...] Um super-herói é um herói com poderes sobre-humanos, ou pelo menos agilidades humanas desenvolvidas à um nível sobre-humano.

Mesmo considerando que em algumas histórias em quadrinhos encontramos as chamadas "figuras de Cristo", como o Thor de Mark Millar nos dois primeiros volumes da série The Ultimates, ou o exemplo mais famoso no próprio Superman, eu não associo o Senhor Jesus com "super-herói" pois vejo que Ele É muito mais do que uma "pessoa extraordinariamente poderosa" ou um "herói com poderes sobre-humanos". A questão central para mim é que Jesus Cristo não é simplesmente um heroico "super-ser" ou " super-humano", mas algo bem além: Ele É essencialmente e de forma maravilhosa o Deus-Homem, perfeitamente Deus e perfeitamente Homem.

Além disso, também não O vejo como alguém que ajuda a humanidade a derrotar o mal, arriscando a sua vida em situações emergenciais, mas sim (e aqui repito-me) como alguém que veio entregar a Sua vida como Filho e Servo Obediente do Pai (Mt. 20:28; Fp. 2:58), a fim de resolver o nosso problema fundamental: o fato de sermos todos nós pecadores, todos nós seres finitos e culpados diante de um Deus Infinito, Moral, Santo e Justo.

Se o conceito de "super-herói" não serve em minha relação com o Senhor, o uso do conceito de "herói", por sua vez, é um pouco diferente.

Aquela definição de "herói" que associa a palavra ao "semideus" da mitologia grega, ou seja, à ideia do filho de um (falso) deus (imaginado pelo homem) e uma mulher mortal, que assim ocupa uma posição intermediária entre deuses e homens, também não me serve: Jesus Cristo é perfeitamente Deus e perfeitamente Homem, e não um ser híbrido que nem é Deus e nem Homem, fruto de um relacionamento sexual. Entretanto, pensando em "herói"como antes de tudo um conceito moral associado a alguém notável por feitos e qualidades nobres e que serve de modelo e inspiração para nossas vidas, ou mesmo pensando em "herói" no sentido de um "ilustre e valoroso guerreiro", aí não tenho nenhum problema em considerar o Senhor Jesus Cristo como o meu verdadeiro e maior Herói.

As próprias Escrituras Sagradas afirmam que Ele deve ser o nosso maior exemplo de vida (Jo. 13:14; 1 Co. 11:1; Fp. 3:17; Hb. 12:1,2; 1 Pe. 2:21), e o cristão deve ter Cristo como seu grande modelo nas mais diversas situações. Além disso, as próprias Escrituras também apresentam Jesus como o "mais valente" (Lc. 11:22), como aquele que derrota a morte e o Diabo tanto como o Cordeiro de Deus imolado na cruz (Cl. 2:13-15; Hb. 2:14,15) como o glorioso Rei-Guerreiro-Cavaleiro em sua segunda vinda (Ap. 19:11-21).

E por tudo isso, digo que sim, Jesus Cristo é o meu verdadeiro e maior Herói.

[1] Trecho encontrado no capítulo 2 do livro Superheroes and Philosophy.

15 de junho de 2014

Peter Parker e Mary Jane

A última página de Amazing Spider-Man #290 registra um dos momentos mais importantes da vida de Peter Parker, quando ele finalmente pergunta para Mary Jane:


E a resposta, dada em Amazing Spider-Man #292, foi "sim".

Estou perfeitamente ciente da opinião geral de que Peter Parker é um tipo de personagem que funciona melhor como sendo solteiro, ou que eles nunca deveriam ter se casado, e etcetera. Entretanto, não consigo deixar de sentir falta de vê-los juntos, como marido e esposa, nas estórias do hero aracnídeo; de ver como eles, no contexto do casamento, em bons ou maus momentos, se ajudavam, contavam sempre um com o outro, e sobretudo se amavam de verdade. Eram estórias que mostravam como o amor, mais do que um sentimento ou uma atração mútua, é uma atitude diária que envolve perdão, respeito, comunicação e recomeço.

Fico feliz de ter uma ótima coleção destas boas e velhas estórias para ler porque, sendo bem sincero, eu raramente compro novas edições do Homem-Aranha depois da deplorável decisão editorial da Marvel, e pretendo continuar não comprando.

9 de junho de 2014

Max Barry

Se você por um acaso ler o primeiro livro de um escritor que lhe era antes desconhecido em apenas dois dias, e se você depois repetir o feito com o próximo livro do mesmo autor que você empolgado adquiriu, então este é um forte indício de que você provavelmente acabou de encontrar um novo autor favorito. Foi exatamente este o meu caso, no que se refere ao escritor australiano Max Barry.

Ex-vendedor da Hewlett-Packard (HP), Max Barry escreve uma ficção de ritmo acelerado, coloquial e carregada de um tom satírico bem construído e especialmente voltado contra um ambiente que ele conhece bem, o mundo corporativo, colocando em cheque a sua "ética", a forma como nos relacionamos com ele, e em como ele afeta a sociedade de modo geral. Nisto o escritor ganhou a minha predileção, pois apesar de escrever seu texto às vezes em um estilo muito informal, com uso de uma linguagem até pesada, Barry acaba tecendo uma crítica que leva à uma autorreflexão sadia sobre as corporações e sobre nós mesmos; suas estórias nos fazem pensar em como em nome do lucro à qualquer custo, dos resultados, da eficiência, do suposto "progresso", ou até mesmo em nome do puro e simples "salvar a nossa pele" nós nos desumanizamos.

Em Homem-máquina, o autor conta a estória do cientista Charles Neumann e discute a nossa dependência tecnológica, a definição de ser humano e a ganância corporativa. Em A Companhia, romance dedicado à HP, Max Barry expõe todo o lado ridículo da cultura corporativa ao narrar o dia-a-dia de Stephen Jones, recém-chegado em uma empresa cujos funcionários são mais preocupados com disputas internas do que com o quê ela de fato produz (se é que produz alguma coisa). Por sua vez, a ótima e visceral distopia EU S/A apresenta um futuro onde o capitalismo imoral e selvagem é levado até os últimos limites, onde a maioria das pessoas são movidas pelo egoísmo e pelo consumismo, tendo por sobrenome o nome das empresas onde trabalham, e onde o governo tem pouca força de atuação; neste cenário futurista, que parece tão próximo de nós, a agente Jennifer Governo luta por fazer justiça, tentando capturar um inescrupuloso executivo de marketing responsável pela morte de vários adolescentes.

Ainda não li Syrup, seu primeiro trabalho, e Lexicon, seu último livro, lançado em 2013. Ambos ainda não foram traduzidos para o português, mas este útlimo, segundo nota no site do autor, está previsto para ser lançado pela Editora Intrínseca. De qualquer forma, as sinopses destes dois livros já me interessaram bastante, e pretendo lê-los assim que puder.

29 de maio de 2014

Uma (breve) análise do mal na Crise Final de Grant Morrison

Eu me lembro muito bem de toda a discussão de alguns anos atrás ocorrida entre os fãs de quadrinhos sobre evento Crise Final da DC Comics. Naquela época, muitas pessoas reclamavam da falta de continuidade entre os títulos que deveriam levar ao início da saga (Countdown to Final Crisis, Death of New Gods, DC Universe: Last Will and Testament do Brad Meltzer), muitos outros afirmavam que a estória criada por Grant Morrison era simplesmente muito confusa, e alguns outros na realidade exaltavam o brilhantismo do autor por criar uma estória tão sofisticada, enquanto que ao mesmo tempo zombavam do grupo anterior por não entender a sua genialidade.

Particularmente, eu ainda acho que Crise Final foi uma verdadeira bagunça editorial, e também acho que ela definitivamente não é uma leitura simples e fácil, como esperado de uma grande saga de super-heróis; se você quer que o seu evento super-heroico seja um sucesso comercial, então você com certeza não vai querer vê-lo sendo considerado como "muito confuso" ou "inacessível". Entretanto, depois de passada toda a comoção, eu pude pensar um pouco melhor sobre a estória e agora sou capaz de apreciá-la um pouco mais. Ainda não posso afirmar que é uma das minhas sagas prediletas, mas pelo menos agora consigo reconhecer algumas coisas bem relevantes e instigantes nela, além de entender qual a sua proposta.

Eu continuo classificando Crise Final como uma "leitura difícil", mas agora porque eu a considero como um épico super-heroico hiper-místico muito bem elaborado, contendo muitos elementos religiosos bem interessantes, muitos deles inclusive sendo referências cristãs. Ao meu ver, Grant Morrison realmente fez um bom trabalho em responder a pergunta "o que acontece quando o mal vence no Universo DC?" ao mostrar o estado do mundo após a vitória de Darkside, e neste sentido Crise Final revela-se uma forte estória sobre como a perversão da bondade pode ser horrível e repulsiva.

Entre todas as coisas que poderiam ser ditas sobre os elementos religiosos desta saga, quero comentar (brevemente) neste post sobre uma edição desta série em 7 partes que me chamou a atenção: Crise Final #5. Na estória intitulada Rumo ao Esquecimento, podemos ver Darkside recuperando a totalidade do seu poder e gerando uma singularidade que ameaça toda a existência. Em meio ao caos cósmico, ele clama [1]:

[...] Nada que é vivo pode resistir a mim agora. Toda carne será o corpo de Darkseid. [...] Todos são um em Darkside!

Ser um com Darkside, como ele mesmo continua a dizer nesta edição, significa ser aniquilado, esmagado, quebrado, assassinado. Darkside quer sugar, cancelar, destruir, arrastar para um poço profundo, e é exatamente isto que o mal representa. É isto que C. S. Lewis destacou em seu livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, conforme comentei no post anterior: unir-se ao mal significa morte; unir-se a Deus significa que enquanto indivíduos estamos finalmente livres para apreciar e experimentar aquilo que é mais importante para nós, aquilo que de fato é vital para nós: o próprio Deus. Esta é a vida perfeita.

Em Crise Final, mesmo com toda a resistência dos super-heróis ao redor do mundo, Darkside foi derrotado apenas após o retorno do Superman à Terra. Na minha opinião, esta é a forma de Grant Morrisson mostrar a importância do Superman para o Universo DC: ele é o maior super-herói, a figura central, aquele que finalmente derrota o mal e salva o mundo. Jesus Cristo significa exatamente isso para mim e para todos os santos em toda a história do mundo: Ele é Herói Supremo, o Filho do Homem que derrota o Diabo e a própria Morte, Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas no Universo, e por meio de quem todas as coisas no Universo serão enfim renovadas e restauradas, para o louvor da Glória de Deus e, consequentemente, nossa alegria.

[1] Como não tenho as edições lançadas no Brasil, traduzi livremente da edição original Final Crisis #5, que possuo.

4 de maio de 2014

Intenções diferentes

Sempre acreditei que viver em unidade com Deus em Cristo não significa necessariamente perder as nossas identidades, mas sim que elas estão livres do pecado; no presente momento estamos livres do poder e da condenação do pecado, e no futuro estaremos livres até mesmo de sua presença. Deus quer que sejamos um com Ele, mas sem nos assimilar ou nos cancelar. Por outro lado, o Diabo, o inimigo de nossas almas (não de Deus, mas nosso inimigo!) tem intenções completamente diferentes: ele quer nos destruir, nos anular.

Jesus Cristo me salvou, Ele é o meu Senhor e Deus, eu estou unido com Ele, mas eu ainda sou "eu", e quando finalmente Ele voltar e renovar todas as coisas, eu ainda serei "eu". Alguém restaurado, mas ainda uma pessoa com uma identidade. E por quê? Porque a minha identidade é criação de Deus para a Sua Glória, e tudo o que Ele cria é bom. Por agora a minha identidade é corrompida pelo pecado, mas isso não vai durar para sempre. O problema é a corrupção da identidade, e não a identidade em si.

C. S. Lewis parecia concordar com o meu pensamento, como pode ser visto em um trecho do capítulo 8 do seu fantástico livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, onde o personagem demônio Fitafuso, em uma das suas lições para o seu sobrinho demônio Vermebile, revela o quão completamente diferentes são as intenções de Deus e do Diabo no que se refere a nós:

[...] Temos de admitir que toda aquela conversa sobre Seu amor pelos homens e sobre o fato de que o serviço a Ele é perfeita liberdade não é, como acreditaríamos de bom grado, mera propaganda, mas uma terrível verdade. Ele realmente quer preencher o universo com inúmeras réplicas repugnantes de Si mesmo - criaturas cuja vida, em escala menor, será qualitativamente como a d'Ele, não porque Ele as absorveu, e sim porque a vontade deles está em espontânea harmonia com a d'Ele. Nós queremos apenas um gado que finalmente poderá ser transformado em alimento; Ele quer servos que finalmente poderão tornar-se filhos. Nós queremos sugá-los; Ele quer fortalecê-los. Somos vazios, e por isso queremos ser preenchidos; Ele está repleto e transborda. Nosso objetivo nessa guerra é um mundo no qual Nosso Pai nas Profundezas possa absorver todos os outros seres nele mesmo; o Inimigo quer um mundo repleto de seres unidos a Ele e ainda assim distintos. [...]

9 de abril de 2014

Noé, de Darren Aronofsky

Sempre acompanhei com bastante interesse o projeto de Darren Aronofsky do filme Noé, desde o momento em que descobri em 2011 que o diretor iria primeiramente publicar sua estória na Europa como uma série de graphic novels dividida em 4 partes, co-escrita por Ari Handel e ilustrada por Nico Henrichon. Consegui com alegria adquirir as edições alemãs (o último volume foi publicado na semana passada na Alemanha), e até mesmo cheguei a escrever um texto com as minhas impressões do primeiro volume, publicado no site The Sci-Fi Christian no ano passado.

Entretanto, não consegui evitar um certo desapontamento após ter assistido ao filme na semana passada. Fiquei tão desapontado que cheguei na ocasião até mesmo a afirmar em redes sociais que Noé fora tão desapontador para mim quanto Homem de Ferro 3 tinha sido, o que é a mesma coisa que dizer que, na minha opinião, o filme era muito, muito ruim.

Eu nunca tive expectativas de que Darren Aronofsky fosse fazer um filme sobre Noé que seria bíblico e aprovado pelos cristãos, e portanto não fiquei desapontado por este motivo. Em primeiro lugar, eu já tinha lido boa parte das graphic novels, e já sabia o que esperar da estória; em segundo lugar, o filme é um blockbuster hollywoodiano, produzido por um ateu que com certeza é um ótimo e talentoso diretor, responsável por alguns filmes bons e intrigantes, mas que não tem uma relação com Deus, ou a preocupação de glorificá-Lo através do uso dos seus talentos.

Em todo caso, conforme explicação de Brian Godawa em seu blog, mesmo a versão do Noé aprovada pelos cristãos e geralmente ensinada nas Escolas Dominicais não é assim tão precisa como algums acreditam que seja.

Sendo assim, acredito que as razões pelas quais fiquei desapontado com Noé podem ser sumarizadas da seguinte forma:

1) Eu realmente gosto bastante das graphic novels, e acho que a estória está bem melhor desenvolvida lá do que no filme. Não que lá ela esteja completamente fiel ao texto biblico, mas acho que seja de qualquer forma uma boa fantasia baseada na Bíblia ou em tradições judaicas.

2) As graphic novels (especialmente o primeiro volume) apresentam um engenhoso e bem elaborado mundo estilo pós-apocalíptico que realmente me impressionou. O filme tentou apresentá-lo da mesma forma, mas não conseguiu fazê-lo na mesma escala.

3) Pelo visto, quando Noé disse "eu não estou sozinho" para Tubal-cain, ele não estava se referindo a Deus mas sim aos Vigias. Isso meio que me desapontou. Poderia ter sido a minha cena favorita do filme.

4) Falando neles, os Vigias de Aronofsky não são "gigantes de pedra" nas graphic novels. Assim, no final, acho que eles estão melhor retratados lá do que no filme. Muito melhor, na minha humilde opinião.

5) Toda aquela coisa da pele da serpente pareceu-me algo bem estranho. Alguns até afirmaram que aquilo é uma referência ao Gnosticismo, e eles podem estar certos. De qualquer forma isso não consta nas graphic novels, e eu fiquei meio surpreso de ver este tipo de coisa no filme.

6) Parece que eu realmente não aprecio muito a atuação da Emma Watson.

Por outro lado, consegui pensar em alguns pontos positivos do Noé de Darren Aronofsky:

1) O filme mostrou que Noé recebeu uma missão de Deus, e mesmo que ele estivesse sob Sua direção, não foi a mesma direção que a Bíblia afirma que Noé tinha recebido. Por conta disso, o filme acabou me relembrando como a direção de Deus e o relacionamento com Ele fazem toda a diferença na vida de alguém.

2) Podemos ver no filme como Noé teve problemas em interpretar a vontade de Deus em todos as coisas, e os cristãos também lutam contra isso. Nós temos a tendência de ficarmos ansiosos em saber o quê Deus quer que a gente faça ou não faça nas situações da vida, mas na realidade a Bíblia revela para nós que a vontade de Deus para as nossas vidas é simplesmente que Ele quer que sejamos como Cristo Jesus. Qualquer coisa que façamos, nós precisamos ser como Cristo, e Deus estará conosco. Assim, o filme também me fez pensar nisso.

3) As cenas do Dilúvio ficaram realmente muito legais. Tanto o Dilúvio propriamente dito bem como as cenas que mostram como ele acabou afetando a família de Noé dentro a arca.

4) Russel Crowe no papel de Noé foi uma ótima escolha para o filme.

Assim sendo, eu volto atrás. Noé não é como Homem de Ferro 3 para mim. Homem de Ferro 3 é muito, muito pior :)

A série de graphic novels em 4 partes foi recentemente lançada em uma única edição capa-dura pela Image Comics nos Estados Unidos, e eu realmente a recomendo. Ela é uma boa estória de fantasia, digna de leitura.

6 de abril de 2014

Sobre mim e este blog

Julgai todas as coisas, retende o que é bom. (1 Ts. 5:21)

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm. 12:2)

Meu nome é Cristiano, e eu sou um nerd protestante, calvinista, que ama ler, sendo que preferivelmente eu leio histórias em quadrinhos (HQ's) e graphic novels, assim como livros de Teologia, Fantasia e Ficção Científica, História, Matemática, Computação e Programação.

A inspiração para o nome deste blog veio de um dos meus livros favoritos, Além do Planeta Silencioso, escrito por um dos meus autores prediletos, C. S. Lewis. Entretanto, também acho que o termo "planeta silencioso" de certa forma reflete a minha própria personalidade, e o fato de eu valorizar tanto o silêncio. De qualquer forma, entendo que a escrita, sendo ela um ato criativo de expressão pessoal, é uma atividade saudável, e portanto eu escrevo, e ao expressar meus pensamentos em textos eu também de alguma forma tento contribuir com perspectivas dos assuntos e temas que me interessam.

Trolagem é um comportamento totalmente inaceitável neste blog, e todos os comentários serão moderados e controlados. Eu também não aceito comentários anônimos.